Lula confirma-se o grande líder deste Brasil de Bolsonaro

Com o pedido de desculpas por causa do asilo a Cesare Battisti, Lula também repudiou aqueles que empurraram o PT para um equívoco monstruoso

Foto: Ricardo Stuckert

Foto: Ricardo Stuckert

Opinião

Lula sai extraordinariamente fortalecido de todos os padecimentos sofridos em nome da farsa urdida por Sergio Moro e Deltan Dallagnol. A condenação sem provas, a prisão em Curitiba e a serenidade exibida diante da injustiça reforçam a confirmação da liderança do ex-presidente, cada vez mais próximo do seu povo. Nunca esquecerei o momento em que ele se entregou à Polícia Federal, para ser levado de Congonhas para o aeroporto de Curitiba e dali para a prisão.

 

 

Estávamos com ele, no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, o ex-chanceler Celso Amorim e eu, em companhia de um Lula ainda disposto a sorrir. A via-crúcis iniciada no fim daquela tarde, cercado o ex-presidente pelo povo até a entrega às forças do golpe, parece até indicar a presença de um plano por trás de tudo quanto se daria em seguida. Hoje não me surpreenderia verificar que o script atendia a uma estratégia traçada anteriormente para desmascarar ao cabo a dupla criminosa que conduziu o processo.

Em recente gesto, Lula se desculpou por causa do asilo garantido a uma triste figura chamada Cesare Battisti, na crença de que fosse ele um destemido combatente contra a extrema-direita que dominava a Itália nos anos 70, conforme a versão até de professores universitários. Com seu pedido de desculpas Lula repudiou aqueles que empurraram o PT para um equívoco monstruoso, ao considerar um oportunista surgido em cena como ladrãozinho de arrabalde. Refiro-me a Luiz Eduardo Greenhalgh, o senador Eduardo Suplicy, os professores Dalmo Dallari e Eros Grau, e, abrindo a fila, o então ministro da Justiça Tarso Genro.

No caso, o pecado foi da crônica ignorância brasileira, que não poupa quem quer que seja. A penitência de Lula repõe a questão em pratos limpos e fortalece o seu autor, conduzido ao papel que lhe cabe de único, e cada vez maior, líder popular brasileiro. 

Quando de seu primeiro encontro com Lula, o então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse: “Então, este é o cara”. Hoje, depois de tudo o que se deu, o ex-presidente é cada vez mais “o cara”.

Publicado na edição n° 1154 de CartaCapital, em 22 de abril de 2021.
Junte-se ao grupo de CartaCapital no Telegram

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Diretor de Redação de CartaCapital

Compartilhar postagem