Alberto Villas

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Jornalista e escritor, edita a newsletter 'O Sol' e está escrevendo o livro 'O ano em que você nasceu'

Colunas

Isso é que é!

A história aqui hoje é sobre uma pessoa que não sabe o gosto que tem uma Coca-Cola. Já imaginou?

Isso é que é!
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Tem muita gente que não gosta de muita coisa. Tem muita gente que eu conheço que não gosta de jiló, de quiabo, de maxixe, de coentro. Como tem gente que não pode nem sentir o cheiro de bacalhau, nem ver na frigideira um belo bife de fígado acebolado. 

Gosto não se discute. 

Tem gente que nunca colocou na boca um sushi, o que é inadmissível para quem ama comida japonesa. 

A história aqui hoje é sobre uma pessoa que não sabe o gosto que tem uma Coca-Cola. Já imaginou? Nunca experimentou, nunca sequer encostou a língua no copo só por curiosidade. 

Essa pessoa tem 27 anos e chama-se Flora Carvalho Villas, minha neta. E o mais louco de tudo é que eu fiquei sabendo só esta semana que a Flofló nunca tomou uma Coca. 

Fiquei pasmo quando soube. Não que Coca-Cola seja item obrigatório na vida das pessoas. Não é. Mas a Flora, sinceramente, deveria estar no livro dos recordes. Acho que é a única pessoa na face da terra que não sabe o gosto que a  Coca-Cola tem, o refrigerante que já foi até inspiração pra nossos compositores. 

Lembro do Milton cantando:

A primeira Coca-Cola

Foi, me lembro bem agora,

Nas asas da Panair

E o Caetano, lá no início da Tropicália:

Eu tomo uma Coca-Cola

Ela pensa em casamento

Uma canção me consola

Eu vou!

E o mesmo Caetano:

A menina muito contente

Toca a Coca-Cola na Boca

E a Legião Urbana:

Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola

Fiquei sabendo que a Flora nunca tomou Coca-Cola quando ela chegou de Campinas e sentou na mesa conosco pra comer uma pizza.

Quer Coca, Flora?

Não, eu não tomo Coca.

Não?

Não! Eu nunca tomei Coca-Cola!

Nunca tomou?

Nunca! Não sei o gosto que tem. 

A mãe da Sara, minha filha, claro, teve uma infância rigorosa. Não podia comer salgadinho ultraprocessado, nada que tivesse conservante ou colorante artificial. Mas eu não me lembro se Coca-Cola era item proibido naquela casa. Acho que não.

De onde será que veio essa ideia da Flora não tomar Coca-Cola? De qualquer maneira, vou roubar o slogan da caninha 51 pra terminar essa crônica:

Não tomar Coca-Cola

Uma boa ideia!

A opinião de colunistas e articulistas não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

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