Voto impresso é conspiração para desestabilizar a democracia

É claro o objetivo de tumultuar as eleições do ano que vem, diante de uma cada vez mais provável derrota, escreve Henrique Fontana

Foto: Nelson Jr./ ASICS/ TSE

Foto: Nelson Jr./ ASICS/ TSE

Frente Ampla

É visível a estratégia do bolsonarismo de levantar assuntos que não interessam ao Brasil com o sentido de desviar a atenção da opinião pública quanto aos reais problemas que o governo cada vez mais se mostra incapaz de enfrentar.

No caso da proposta de retorno do voto impresso, vai além disso. Bolsonaro e seus seguidores buscam alimentar uma rede conspiratória que colocaria sob suspeição o processo eleitoral no Brasil, com o claro objetivo de tumultuar as eleições do ano que vem, diante de uma cada vez mais provável derrota.

Para isso, apostam na desinformação disseminada, aludindo supostas fragilidades no sistema eletrônico ou a possibilidade de ações de hackers para fraudar os resultados.

Um dos interesses de um eventual retorno do voto impresso também é evidente: permitir que as milícias com maior poder para pressionar o cidadão possam controlar o voto das comunidades sob seu controle.

O voto eletrônico é uma conquista da democracia brasileira. Desde 1996, quando foi implantado, não houve um único caso de fraude comprovada. Pelo contrário, derrotou um passado em que eram comuns as denúncias de corrupção nas apurações eleitorais.

 

 

Basta lembrar a experiência realizada em 2002, quando o voto impresso foi testado em um total de 150 municípios, nos quais o eleitor votava na urna eletrônica e esse voto, uma vez impresso, era depositado em uma urna física. O diagnóstico desta experiência mostrou que as eleições nessas localidades se tornaram inseguras e passíveis de fraudes. Com base nesse diagnóstico, a proposta de volta do voto impresso foi enterrada.

Desde e implantação do sistema eletrônico de votação, o Brasil já elegeu Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma e Bolsonaro, sem nenhum caso comprovado de fraude. Isso acontece porque as urnas não estão conectadas à nenhuma rede, portanto estão livres do ataque de hackers como acontece em empresas ou instituições, mesmo governamentais. Todas as fases do processo, da eleição à apuração, estão sujeitas à fiscalização dos partidos e à auditagem da justiça Eleitoral e de instituições da sociedade, como Ordem dos Advogados do Brasil. Portanto, o sistema de urna eletrônica é mais auditável do que um sistema com voto impresso e, por isso, fica ainda mais evidente que o objetivo do bolsonarismo é desestabilizar a democracia.

A volta da eleição com voto impresso é desnecessária, criaria problemas que não existem, geraria alto custo e não agregaria mais segurança ao processo eleitoral. Pelo contrário, traria de volta os riscos de manipulação da vontade popular e a possibilidade de judicialização das eleições, como ocorreu recentemente nos Estados Unidos.

Bolsonaro não governa. O tempo que deveria dedicar à busca de soluções para enfrentar a pandemia, o desemprego e o acelerado empobrecimento da população, ele ocupa com exibicionismo personalista e provocações aos adversários, ou em atos explícitos de propaganda eleitoral antecipada, lançando à sociedade pautas absolutamente distantes dos reais interesses do povo brasileiro em proveito próprio.

Este texto não reflete necessariamente a opinião de CartaCapital.

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É deputado federal pelo PT do Rio Grande do Sul

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