Frente Ampla

Onde estava Pedro Guimarães?

Infelizmente, nós sabemos: estava na cadeira de presidente, usando recursos públicos, seu poder e influência, para protagonizar episódios abjetos e inaceitáveis de assédio moral e sexual

Guimarães teria assediado ao menos cinco funcionárias do banco - Imagem: Isac Nóbrega/PR
Guimarães teria assediado ao menos cinco funcionárias do banco - Imagem: Isac Nóbrega/PR
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Em várias ocasiões em que a Caixa foi atacada de forma vil no Congresso Nacional (muitas vezes por iniciativas do próprio governo Bolsonaro), eu me perguntava: onde está Pedro Guimarães? Onde está o presidente da Caixa, que não defende a instituição?  

Nos últimos meses, a Caixa foi alvo de ataques muito duros – e Pedro Guimarães simplesmente silenciou em todos eles. Foi covardemente cúmplice das tentativas de enfraquecer a instituição, esvaziar seu papel social e entregar serviços fundamentais dela para a iniciativa privada. 

Onde estava Pedro Guimarães quando a Câmara Federal aprovou o Projeto de Lei (PL 4188/2021), que retirou da Caixa o monopólio do Penhor? 

A Caixa era a única instituição autorizada, há mais de 50 anos, a operar a atividade do penhor de bens móveis. O fim do monopólio não representa apenas um ataque à Caixa, mas à população brasileira.

A Caixa tem expertise e capacidade técnica inigualáveis para operar essa modalidade financeira, uma vez que a atividade do penhor têm especificidades e requer um alto investimento em segurança e armazenamento, qualificações que a Caixa tem. O fim do monopólio representa arrancar da empresa um serviço de décadas, plenamente consolidado, com o único objetivo de “abrir mercado” para o sistema financeiro privado. 

Ademais, o fim da exclusividade abrirá precedentes para uma série de práticas criminosas: facilitação da agiotagem; viabilização de lavagem de dinheiro; realização de extorsão; ausência de controle do Estado e viabilização de venda de bens roubados ou furtados.

Nada disso foi considerado durante o debate. Nada disso foi denunciado pelo presidente da Caixa. 

Onde estava o Pedro Guimarães no momento em que o Senado Federal retirou a Caixa da operacionalização das novas Loterias da Saúde e do Turismo, quando da discussão do Projeto de Lei (PL 1561/2020)? 

Nós asseguramos, na Câmara, que as novas Loterias seriam operadas pela Caixa, mas o Senado retirou a empresa pública e entregou para a iniciativa privada. Pasmem, as novas Loterias que estavam sendo criadas para trazer novos recursos para a Saúde e o Turismo, agora, terão 95% da arrecadação destinadas a um agente operador privado e dos 5% restantes, apenas 3,37% serão destinados à saúde e ao turismo; e 1,63%, à política de esporte. A escolha do agente operador privado será feita sem licitação. Um completo absurdo! 

Mais uma vez não apenas a Caixa saiu perdendo, mas o povo brasileiro. Retirar a Caixa configura um verdadeiro crime de lesa-pátria. Isso porque parte dos recursos arrecadados pelas Loterias retornam para a União que os destina para políticas públicas. 

Os recursos arrecadados pelas Loterias da Caixa são importantes para o desenvolvimento do Brasil. Cerca de 30% do valor arrecadado é investido em programas sociais do governo federal nas áreas de seguridade social, esporte, cultura, segurança pública, educação e saúde. Para se ter uma ideia, apenas no ano de 2021, do total de R$ 18,5 bilhões arrecadados, cerca de R$ 7,5 bilhões tiveram destinação social.

A forma como a Caixa conduz as Loterias é um exemplo para o mundo. O mundo inteiro busca ver a tecnologia que a Caixa desenvolve, com loterias absolutamente transparentes. E onde estava Pedro Guimarães quando praticavam esse crime contra a Caixa?

Infelizmente, nós sabemos onde Pedro Guimarães estava todo esse tempo. Estava na cadeira de presidente, usando recursos públicos, seu poder e influência, para protagonizar episódios abjetos e inaceitáveis de assédio moral e sexual. Provocou indignação e revolta.

Pedro Guimarães transformou a Caixa numa sesmaria do bolsonarismo. Agiu durante todo tempo como capitão-mor do presidente. À frente da empresa adotou uma política patrimonialista, como se a instituição lhe pertencesse.

Pior, agia como se as próprias bancárias da Caixa fossem seu objeto e propriedade. Transformou a Caixa em palanque eleitoral para o Bolsonaro. Gastou milhões em viagens para destilar ódio, espalhar mentiras e cometer crimes.

Por força e contundência das denúncias que sacudiram a República nos últimos dias, Pedro Guimarães caiu. Caiu pela coragem e decisão das mulheres de falarem, denunciarem e não se curvarem aos abusos e desmandos de Guimarães, que não pode e não ficará impune. 

A Caixa é muito maior do que Pedro Guimarães e sua gestão criminosa e assediadora. A Caixa é a instituição financeira responsável por 98% da habitação popular e a maior articuladora de políticas públicas deste país.

A Caixa vai continuar mostrando a sua grandeza e Pedro Guimarães e todos os que acham que podem se apropriar de corpos e da empresa passarão. E a Caixa? Ah, a Caixa passarinho. 

Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

Erika Kokay

Erika Kokay

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