O recesso da CPI alcança apenas os trabalhos legislativos, não as investigações

As próximas semanas serão de intenso trabalho de perícia dos documentos recebidos e cruzamento de informações

O senador Randolfe Rodrigues (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

O senador Randolfe Rodrigues (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Frente Ampla

Na última semana o Congresso Nacional votou a Lei de Diretrizes Orçamentárias, dando início ao recesso legislativo – previsto para durar duas semanas. Neste período, não estão marcadas sessões da CPI da Covid, mas isso não significa que os trabalhos serão suspensos: segue a análise documental da massa de informações recebidas pela comissão, sem falar na prorrogação das investigações por mais noventa dias a partir de 7 de agosto.

Passados quase três meses desde sua instalação, a CPI da Covid já reúne indícios e dados suficientes da omissão e negligência do governo federal no enfrentamento da crise sanitária. A omissão e os interesses escusos ficaram patentes nas respostas evasivas — e muitas vezes mentirosas — de diferentes autoridades governamentais convocadas a depor, mais preocupadas com a proteção de aliados do que elucidar os motivos da tragédia que nos assola.

Embora tenha sido prorrogada, a intenção é que a CPI da Pandemia apresente o seu relatório em setembro

Instalada com o objetivo determinado de investigar as ações e omissões do governo federal no agravamento da crise sanitária decorrente do novo coronavírus, a CPI da Pandemia desvendou o que parece ser um esquema bilionário de desvio de recursos públicos em contratos superfaturados para aquisição de vacinas. Até agora, são quatro os imunizantes que poderiam fazer parte do esquema: Covaxin, AstraZeneca, CanSino e Sputnik V, além da última revelação envolvendo a compra da CoronaVac e o gabinete do ex-ministro Eduardo Pazuello.

Embora tenha sido prorrogada, a intenção é que a CPI da Covid apresente o seu relatório em setembro. As próximas semanas serão de intenso trabalho de perícia dos documentos recebidos e cruzamento de informações. Além de técnicos do Senado, servidores da Receita e da Polícia Federal também compõem as equipes de peritos.

A mesa diretora da CPI tem muito trabalho pela frente com reuniões virtuais para definição dos próximos passos e análise do material periciado. Havendo necessidade, diligências não estão afastadas. O recesso alcança apenas os trabalhos legislativos, não as investigações.

Além da dedicação de seus membros, a CPI da Covid tem recebido grande contribuição da sociedade civil na condução dos seus trabalhos, especialmente aquelas advindas das redes sociais. São vídeos, fotos, textos e outros tipos de conteúdo que auxiliam nas arguições e contextualizam as temáticas em debate na comissão, mostrando que a população brasileira acompanha com grande expectativa os trabalhos da CPI.

A contribuição da bancada feminina do Senado Federal também merece destaque. Ausentes no preenchimento das vagas pelas lideranças partidárias, pleitearam assento na comissão e, desde então, as senadoras destacadas para acompanhar as sessões têm contribuído imensamente com as investigações, reforçando a necessidade urgente de garantir a paridade de gêneros nos múltiplos ambientes decisórios e de representação popular.

 

Afirmamos anteriormente e reafirmamos agora que a simples instalação da CPI já se configurou como uma importante medida sanitária de combate ao novo coronavírus no Brasil. E acreditamos que ainda há muito o que avançar com a continuidade dos seus trabalhos. As suspeitas de corrupção envolvendo a compra de imunizantes precisa ser investigada a fundo. É inadmissível que enquanto brasileiros e brasileiras diariamente morriam aos milhares, o governo federal usava vacinas como forma de enriquecimento ilícito.

A população se acostumou a acompanhar os trabalhos da CPI da Covid e o recesso legislativo talvez gere uma espécie de abstinência com o andamento das investigações. Reiteramos que os trabalhos não param, embora não tenhamos sessões previstas para as próximas semanas. Aguardem novidades para os próximos dias.

Este texto não reflete necessariamente a opinião de CartaCapital.

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É senador pela Rede/AP, professor, graduado em História, bacharel em Direito e mestre em Políticas Públicas.

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