Frente Ampla

O que estão fazendo com o transporte em São Paulo?

A população moradora da periferia sofre com o descaso dos governos estadual e municipal, cujo modelo de gestão prioriza o lucro das empresas em relação às necessidades dos passageiros

Foto: Reprodução/Redes Sociais/Carlos2007Andre
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Nos últimos dias, diversos veículos de comunicação têm denunciado o descaso com o transporte público da Capital e Grande São Paulo. Enquanto a população que usa trens, metrô e ônibus reclama das condições, as gestões municipal e estadual fingem que o problema não é com elas, e sempre afirmam que está tudo bem.

Quando se trata de mobilidade urbana, não é possível reduzir todos os problemas a um denominador comum. Mas é possível estabelecer que uma das raízes é o atual modelo de gestão escolhido pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, assim como pelo agora ex-governador João Doria, que tem em comum a falta de fiscalização e, consequentemente, falta de punição pelo descumprimento de contratos.

Enquanto milhares de moradores do Grajaú se espremem em ônibus lotados, que demoram até uma hora para passar no ponto, como mostrou a Folha de São Paulo no último domingo 3, o prefeito de São Paulo e sua equipe dizem que tudo está sob controle, com mais carros do que a demanda, inclusive.

Para eles, nada tem a ver com o modelo de licitação utilizado de 2019 para cá, que faz o cálculo de repasse para as companhias de ônibus por passageiro. A consequência é óbvia: menos carros é igual a mais passageiros numa única viagem. Para as pessoas que usam o transporte público, além do valor da passagem, ficam o desconforto, falta de previsibilidade, demora e o cansaço.

João Doria, conhecido por entregar o patrimônio público, conseguiu privatizar algumas linhas da CPTM. Em 47 dias de operação da ViaMobilidade, que assumiu a gestão das linhas 8, 9 e 10, foram 30 ocorrências de falhas.

Ambos os contratos possuem mecanismos de multa por conta do descumprimento, mas antes de qualquer punição, inicia-se uma batalha jurídica que arrasta o processo. E, com o passar do tempo, esses assuntos vão caindo no esquecimento e as pessoas passam a achar que “é assim mesmo”. Não deveria ser assim, ainda mais pelo preço que se paga pela passagem.

Os problemas de mobilidade urbana ultrapassam a questão do transporte, assim como demandam soluções conjuntas, cujo efeitos costumam aparecer no médio e longo prazos. No entanto, é inadmissível a humilhação a que estão expostas pessoas da periferia da Capital e da Grande São Paulo.

É preciso debater um modelo de Sistema Nacional de Mobilidade no Brasil, nos mesmos moldes do SUS, em que os governos federal, estaduais e municipais compartilhem responsabilidades, inclusive no financiamento. E essa discussão precisa começar logo, pois a cada dia que passa, o modelo atual fica mais ultrapassado.

Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

Jilmar Tatto

Jilmar Tatto
Secretário Nacional de Comunicação do PT e ex-deputado federal

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