Frente Ampla
O Brasil não aguenta mais esperar. Redução da Selic Já!
A manutenção dos juros no nível atual destruirá as chances de crescimento econômico em 2026
Termina nesta quarta-feira 18 a reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, ocasião em que o colegiado analisa o cenário econômico e delibera sobre o patamar da Selic, hoje em escorchantes 15% ao ano, o que coloca o Brasil na triste condição de segunda maior taxa de juros real do mundo, atrás apenas da Rússia.
É injustificável, sob todos os prismas, que a reunião não resulte em corte robusto da taxa, sinalizando um ciclo de redução que leve a Selic a patamares civilizados. A inflação há meses vem perdendo força e encerrou 2025 em 4,26%, segundo o IBGE, a menor taxa anual desde 2018 e dentro da meta. Se os números forem anualizados até fevereiro de 2026, o índice cai para 3,81%, o que mostra queda consistente.
Por outro lado, a economia cresceu modestos 2,3% no ano passado, sendo que no último trimestre o saldo foi vegetativo, de 0,1%. Ou seja, o garrote prolongado da política monetária tem surtido efeito de verdadeira sabotagem do crescimento econômico.
Diante desse quadro, nas últimas semanas até mesmo os analistas de mercado concordavam que a reunião do Copom deveria produzir corte de juros. Ocorre que, com a eclosão da guerra dos EUA contra o Irã e o aumento dos preços do petróleo, a pressão da agiotagem financeira voltou à tona para impedir a queda da Selic. A manutenção dos juros nesse patamar vai destruir as chances de crescimento econômico em 2026.
A política monetária, conduzida por um BC capturado pelos interesses do mercado financeiro, é um dos principais obstáculos ao desenvolvimento do País, uma vez que é impensável realizar investimentos produtivos com os juros lunares praticados. Quem vai investir em uma planta industrial se os juros reais, descontada a inflação, são de 10%? Ninguém! O resultado é que, enquanto a indústria segue definhando e diminuindo sua participação no PIB, o rentismo faz a festa da multiplicação de dinheiro sem produzir um prego.
Ao contrário do que pode parecer, essa não é uma questão intangível, coisa da macroeconomia ou de mercado financeiro. Na realidade do povo, a taxa Selic impacta os financiamentos imobiliários, por exemplo. O Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) é a principal fonte de financiamentos imobiliários do País, a partir de recursos da poupança. A Selic alta torna mais cara a captação de dinheiro para o financiamento da moradia popular, elevando os juros desse crédito, inclusive na Caixa Econômica Federal, que tem papel central na habitação.
Escandalosamente, os economistas de bolso do mercado financeiro vivem demonizando os gastos sociais, principalmente os resquícios que ainda existem do Estado de Bem-Estar Social, como o sistema de Previdência e Seguridade Social. Apontam para o suposto “rombo” nas contas do INSS, que em 2025 teria sido de 320 bilhões de reais. Impiedosos com os mais pobres, querem desvincular a aposentadoria e a seguridade do salário-mínimo, congelando os benefícios da parcela mais necessitada da população.
Sabe-se que esse déficit é, antes de tudo, uma construção retórica, pois só se contabilizam as contribuições diretas à Previdência e não as outras fontes previstas para financiar a seguridade social. Mas ainda que seja tomado por seu valor de face, problema muito maior para o controle das contas públicas é que o País tenha gasto, em 2025, 1,16 trilhão de reais com a rolagem da dívida pública, cujos títulos são remunerados pela Selic.
Segundo o Tesouro Nacional, o total da dívida pública brasileira no ano passado ficou em 8,6 trilhões de reais, em torno de 78,7% do PIB. Pois apenas em um ano o País gastou 1,16 trilhão de reais com o “bolsa banqueiro” e, a continuarem os juros como estão, torrará esses recursos ano após ano. Cada ponto percentual da taxa Selic equivale a uma sangria de 55 bilhões de reais aos cofres públicos. É um sequestro do orçamento federal. Esse é o grande problema das contas do País.
Não é demasiado dizer que grande parte das expectativas econômicas do País para 2026 estará em debate nessa reunião do Copom. Não são gráficos, são empresas, empregos, famílias, vidas. Já passa da hora de o Banco Central ter responsabilidade com o povo brasileiro. O Brasil não aguenta mais esperar. Redução da Selic já!
Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.
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