O 1º de Maio e o novo mundo do trabalho

'O fato é que precisamos nos conectar e compreender a pauta e as aspirações desses novos trabalhadores', escreve o senador Jean Paul Prates

Entregadores de aplicativos fazem manifestação em São Paulo. Foto: Djalma Vassão/FotosPublicas

Entregadores de aplicativos fazem manifestação em São Paulo. Foto: Djalma Vassão/FotosPublicas

Frente Ampla,Opinião

Em quase 100 anos de celebração oficial do Dia do Trabalhador no Brasil, este 1º de Maio de 2021 transcorrerá, possivelmente, sob a maior carga de incerteza e desalento que os brasileiros e brasileiras que vivem de seu trabalho já vivenciaram.

A pandemia tem sua parte de culpa, mas os desatinos do governo Bolsonaro —absolutamente incapaz de construir alternativas para os 14,3 milhões de desempregados ou de minorar o desespero de 19 milhões que passam fome — traçam os cenário mais triste da nossa história recente.

Desde a anulação da farsa judicial da Lava Jato contra Lula, porém, voltamos a ver, como a Graúna de Henfil, a estrela da esperança no horizonte.

Celebremos a esperança, portanto. Mas, como senador do Partido dos Trabalhadores, não perco de vista o significado mais profundo do que é encarnar essa esperança: mais do que nunca, é tempo de aprender.

Ainda que não tivéssemos tido a infelicidade de ter uma pandemia e um Bolsonaro — e, pior, os dois combinados — é inevitável reconhecer que o povo para quem fazemos política e para quem queremos governar mudou. E isso vai exigir de nós o esforço permanente e sincero para compreender suas demandas e necessidades.

Os trabalhadores e trabalhadoras brasileiras já não são mais somente os profissionais urbanos, os camponeses organizados e os setores médios. O mundo do trabalho sofreu mudanças profundas, com o surgimento de novas profissões, novas categorias sociais e novos vínculos—ou velhos vínculos, dos primórdios da Revolução Industrial, confeitados com as luzinhas da tecnologia.

Sim, estou falando dos chamados “trabalhadores de aplicativos”. Mas também dos pequenos empreendedores, dos autônomos, dos trabalhadores do telemarketing e de uma parcela expressiva dos empregados do comércio — gente para quem a CLT era um sonho distante, mesmo antes da reforma trabalhista tornar letra morta as conquistas trabalhistas que o povo construiu em quase 100 anos.

 

O fato é que precisamos nos conectar e compreender a pauta e as aspirações desses novos trabalhadores.
Não se trata de aceitar vínculos precários, ausência de direitos e entraves à organização como parte irrecorrível da paisagem. Trata-se, isso sim, de contribuir para a formulação de novas estratégias—afinal, para isso servem os partidos políticos.

Pensar sobre isso na véspera desse 1º de Maio carregado de nuvens só torna mais nítida a responsabilidade do PT e das esquerdas neste instante da nossa história. Porque somos nós as forças organizadas que poderão dar respostas aos desejos e anseios desses novos trabalhadores—ainda que, tantas vezes, não consigamos entendê-los e nos fazer entender.

Mas, como já lembrei, está voltando o tempo da esperança. Tenho certeza que estamos à altura do desafio e da responsabilidade.

Vai ser preciso muito trabalho — mas o trabalho não nos é estranho.

Este texto não reflete necessariamente a opinião de CartaCapital.

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É senador pelo PT do Rio Grande do Norte.

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