Frente Ampla

Na disputa de 2022, Brasil deve jogar pelo Estado Democrático de Direito

O jogo será entre um Brasil envergonhado e um país que temos orgulho de defender. Nunca foi tão fácil escolher!

Imagem: iStock
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O resultado do primeiro turno das eleições de 2018 mal tinha saído quando o então candidato Jair Bolsonaro colocou em dúvida a segurança das urnas eletrônicas. Antes disso, em um vídeo removido das redes sociais por determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o presidenciável já havia inventado uma possível derrota para Fernando Haddad, segundo ele, não por votos, mas por fraude.

Em meio a dezenas de declarações de Bolsonaro atacando o sistema eletrônico de votação e blefando sobre supostas provas de fraude, chegamos a 2022. E, embora o próprio presidente já tenha dito que não possui nenhuma evidência, as críticas ao sistema eletrônico de votação continuam sendo feitas. As teses são variadas. Há quem fale em golpe. Outros acreditam que é uma vacina caso se confirme a derrota. Ainda há quem diga que é uma estratégia para desviar dos assuntos que realmente importam para a população, como ações para combater a inflação, a fome, o desemprego. Enquanto se especula sobre um suposto golpe, o fracasso das políticas econômica e social vai para o segundo plano. Qualquer que seja, não há quem possa defender o ataque constante ao Tribunal Superior Eleitoral, único responsável pela condução e lisura do processo eleitoral.

Essa estratégia errática já levou a Câmara dos Deputados a analisar uma proposta de retorno ao voto impresso, rejeitada pela maioria. E foi derrotada porque comprovamos que o voto impresso é bastante suscetível a fraudes. Sem mencionar a demora na contagem dos votos, a dificuldade de logística para transferência das urnas e o tumulto que dificulta a fiscalização. Sobre Bolsonaro questionar um sistema que o elegeu, nem comento, mas reforço que ele só gosta de jogar quando as regras permitem sua vitória. Quando o jogo está quase perdido, ele quer questioná-las. Não quer mudá-las para aperfeiçoar o jogo. É como uma criança que espalha as peças no tabuleiro quando está para ser eliminada.

Que é um mau perdedor, portanto, ninguém tem dúvidas. Quando se sente insatisfeito, inseguro ou ameaçado por seus adversários, perde a cabeça, comete faltas, dá “carrinho” em quem tenta pará-lo, comete pênaltis e isola a bola se for preciso. Inventa mentiras, cria situações constrangedoras e, ao ver que está isolado, pede ajuda para a sua torcida. Então, apoiado por seus fieis escudeiros, ele tenta avançar pelo meio de campo, mas a penalidade já está clara e marcada.

Tenho dúvidas se Bolsonaro aceitará jogar no tempo regulamentar da partida. Confesso minha expectativa de que a partida não tenha acréscimos, que as forças que defendem a democracia firmem verdadeiramente a Frente ampla, superem divergências e caminhem juntas para derrotar o autoritarismo e os ataques às instituições.

Para a sociedade, que acompanha atenta as movimentações, deve ficar claro o alerta de que Bolsonaro não aceitará o fracasso. Tentará de tudo para manter-se no poder, destruindo a economia, as perspectivas de futuro, o meio ambiente, a cultura, a educação e, principalmente, instituindo sigilo de 100 anos em tudo que puder fazer a justiça alcançá-lo e aos seus. Disso ele não abrirá mão.

Mais do que expectadores passivos, temos que fazer uso das armas que a democracia nos confere. O voto é uma delas, mas não se encerra aí. Temos que garantir que ele será respeitado, que a vontade da maioria prevalecerá sem percalços ou estratagemas. Devemos sustentar a legitimidade das eleições e nos anteciparmos às armações que tenta fazer, como as notícias falsas divulgadas na internet, o uso de uma comunicação milionária e ilegal por meio de aplicativos de mensagens ou a mobilização violenta nas ruas. Não podemos, em hipótese alguma, contribuir para ampliar a nuvem de fumaça criada a cada dia para minar o processo eleitoral e colocar em xeque a soberania popular.

A Comissão de Transparência nas Eleições cumpriu o seu papel. Do TSE, espera-se a autonomia para a palavra final sobre qualquer assunto relacionado ao processo eleitoral em respeito à legislação aprovada pelo Congresso Nacional. E a nós, parlamentares legitimamente eleitos, cabe a formação de uma ampla corrente com o objetivo de preservar o Estado Democrático de Direito. Cabe, ainda, produzir uma vacina contra o que quer que seja que Bolsonaro trama. Porque, seja na forma de golpe ou de autopreservação, o intento não pode ser atingido. Essa vacina chama-se informação e mobilização. Também atende pelo nome de combate às fake news. Não podemos deixar a desinformação e a inércia tomarem conta da sociedade. Isso é papel de todos. Do Congresso, das centrais sindicais, da sociedade civil organizada, dos candidatos, da imprensa, de cada cidadão comprometido com o Brasil e nossa democracia.

Nas disputas eleitorais, quem ganha, leva. Sempre foi assim. Nós já perdemos e respeitamos o resultado. É do jogo. A única sala secreta que deve existir é o espaço sagrado entre o eleitor e a urna e sabemos o que as pesquisas apontam. O povo quer de volta um projeto de nação que dialoga com todos. Que não tenha amigos e o mercado a favorecer. De um lado está o atraso e a destruição das políticas sociais e ambientais. Do outro, a esperança de retomar o crescimento econômico e gerar emprego e renda. O jogo será entre um Brasil envergonhado e um país que temos orgulho de defender. Nunca foi tão fácil escolher! Minha torcida já está decidida, e a sua?

Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

Jandira Feghali

Jandira Feghali
É deputada federal (PCdoB-RJ), vice-líder da Minoria na Câmara dos Deputados e vice-presidente nacional do PCdoB

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