Atos do 7 de Setembro são, antes de tudo, suspiros de um governo moribundo

A nova investida do presidente nada mais é que a cartada final de um governo incompetente, antipovo, entreguista e principalmente corrupto

O senador Randolfe Rodrigues. Foto: Pedro França/Agência Senado

O senador Randolfe Rodrigues. Foto: Pedro França/Agência Senado

Frente Ampla

O feriado de 7 de Setembro deste ano foi marcado pelas manifestações convocadas antecipadamente nos círculos bolsonaristas e tiveram como fundamento a tentativa final de demonstração de apoio popular aos atos do presidente da República e encorajamento para elevação do tom do discurso contra as instituições e normalidade democrática no País. Ainda que apoiadores do chefe do Poder Executivo insistam em atos dentro do escopo democrático, o que se viu foram discursos explícitos de desrespeito aos outros poderes e flerte com o golpismo.

A capital federal, por exemplo, foi tomada de caravanas de outros estados que promoveram aglomerações, espalharam discurso de ódio e infringiram as regras anteriormente acertadas para a manifestação, rompendo bloqueios policiais e invadindo áreas com circulação limitada de pessoas. O policiamento precisou agir, inclusive com bombas de gás lacrimogênio e spray de pimenta para dispersar as milícias arruaceiras.

Muitas das pessoas presentes traziam cartazes e faixas com as mais diferentes palavras de ordem. Em comum a elas, o delírio e a vertigem que interditam o debate político brasileiro, assombrado por fantasias como a ameaça comunista, a depravação da juventude e a doutrinação educacional. Uma massa irradiando preconceitos, ressentimentos e fazendo ode ao pior governo da história do Brasil. Um espetáculo dantesco de apreço ao caos que tomou o País.

A nova investida populista do presidente nada mais é do que a cartada final de um governo incompetente, antipovo, entreguista e principalmente corrupto: a torpeza das negociatas envolvendo a compra de vacinas em um contexto de pandemia que já ceifou a vida de quase 600.000 mil brasileiros dá a dimensão da quadrilha que tomou de assalto a Esplanada dos Ministérios, moendo as instituições em proveito próprio com o objetivo único de escapar dos crimes cometidos ao longo de uma carreira política improdutiva e cevada no ódio.

O desespero demonstrado diante da institucionalidade corajosa resgatada pelo Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal, — a CPI da Covid e os inquéritos que investigam as fake news, por exemplo — encorajaram a covardia daqueles que acreditam que as instituições fundadas ao custo de muita luta e esforço das múltiplas forças políticas que constituem a sociedade brasileira devem se curvar aos caprichos pessoais de um líder inepto.

Todo este pavor ficou explícito no discurso anedótico proclamado aos presentes. Cumprindo o previsível expediente de criar inimigos para tentar disfarçar a própria incompetência, o ocupante do mais alto cargo da nação novamente deu provas do seu descolamento da realidade e completa incapacidade de compreender a separação e harmonia entre os poderes. A Constituição Federal é um pacto entre cidadãos e não a extensão dos devaneios de quem notadamente reúne em si toda a inaptidão para governar o Brasil.

É óbvio que os atos deste 7 de Setembro não devem ser desprezados. Mas também não devem ser vistos como a ruína de nossa Democracia. São, antes de tudo, suspiros de um governo moribundo apegado a devaneios que ainda podem seduzir uns poucos incautos, porém jamais suficientes para implodir a nação que a duras penas nos esforçamos em construir.

Vejamos qual será o próximo movimento do governo rumo à própria ruína. A comunidade internacional observa apreensiva o agravamento das crises que destroem o Brasil. A economia agoniza, o investimento estrangeiro é inexistente, a pandemia destrói famílias e o desemprego enterra as perspectivas em melhorar de vida para milhões de brasileiros. Nenhuma encenação esconde as mazelas que nos assolam, apenas ilustram a tragédia a que estamos submetidos

Este texto não reflete necessariamente a opinião de CartaCapital.

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É senador pela Rede/AP, professor, graduado em História, bacharel em Direito e mestre em Políticas Públicas.

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