Frente Ampla

As mulheres negras são o antídoto ao imperialismo!

A eleição de Francia Márquez como vice-presidente da Colômbia representa uma quebra de paradigmas e aponta caminhos para as esquerdas brasileiras

Francia Marquez, vice-presidente da Colômbia, em ato solidário a Marielle Franco. Foto: Reprodução
Francia Marquez, vice-presidente da Colômbia, em ato solidário a Marielle Franco. Foto: Reprodução
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No dia 19 de junho, um domingo, celebramos com entusiasmo os resultados históricos das eleições na Colômbia. Gustavo Petro e Francia Márquez foram eleitos respectivamente presidente e vice-presidenta para compor o primeiro governo de esquerda da história do país.

Essa vitória das forças progressistas representa mais um fôlego nas lutas antifascistas e contra os retrocessos na América Latina. Mas mais do que isso, a conquista nos traz questões fundamentais para avançarmos na nossa batalha em defesa da democracia, da diversidade e da representatividade na política.

Francia Márquez é uma mulher negra, jovem e periférica que dedica sua vida ao ativismo pelos direitos humanos e em defesa do meio-ambiente. Sua eleição representa uma quebra de paradigmas e aponta caminhos para as esquerdas brasileiras. A força das pretas tem se mostrado fundamental ao redor do mundo, mas em especial aqui no nosso país. Somos pioneiras nas lutas populares e protagonizamos a vanguarda pela construção de um novo futuro, mais digno, justo e sustentável para todas, todos e todes.

Não dá mais para ficarmos nos velhos esquemas de sempre. Não dá mais para aceitar que as mulheres negras sejam minoria nos espaços de poder e de decisão. Nós, pretas, somos 28% da população brasileira e apenas 2% do Congresso Nacional. Isso é absurdo e tem gerado consequências graves. Mais do que nunca, está nítido: não dá para fazer política sem nós! Quem quer pensar um novo modelo de sociedade tem que ser antirracista, feminista, defender a população LGBTQIA+, os trabalhadores e trabalhadoras. Temos que pensar no futuro do nosso planeta!

O Brasil tem o dever e a responsabilidade histórica de, como maior país da América Latina, de também dar sua resposta ao imperialismo e a onda de fascismo que persiste com seus planos perversos.

Nós somos o país de Antonieta de Barros, Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro, Jurema Werneck, Benedita da Silva e tantas outras mulheres negras que deram e dão suas vidas, seus corpos e mentes para a luta em defesa da emancipação do povo. Temos um legado e ao mesmo tempo uma dívida com as nossas ancestrais de não só participar do processo de derrocada do fascismo e do imperialismo mas de protagonizar a reconstrução que deverá ser feita depois.

Nas ruas e redes, mulheres negras sempre ocuparam espaços para dar voz às suas demandas, às suas dores e às questões que afligem não só a nós mesmas mas a todo o povo brasileiro. Precisamos agora intensificar o enegrecimento dos parlamentos, dos espaços de poder e decisão. Precisamos imaginar que é possível ocuparmos esses espaços.

A eleição de Francia é uma lufada de esperança nos nossos corações e mentes. A vice-presidente da Colômbia é uma mulher negra! Isso é mais do que simbólico: é a materialização dos sonhos de muitas gerações que nos antecederam. E esse sonho precisa se multiplicar. Que o Brasil seja o próximo realizador desse sonho, com a força da coletividade.

Viva a força das mulheres negras! Viva a luta do povo negro! Viva a luta contra o imperialismo!

Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

Verônica Lima

Verônica Lima
Vereadora de Niterói, no Rio de Janeiro, e foi a primeira mulher negra eleita para a Câmara da cidade

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