A única alternativa é o impeachment

'Não resta alternativa exceto pedir a interrupção deste governo fraudulento, estelionatário da boa fé de muitos'

Foto: Miguel SCHINCARIOL / AFP

Foto: Miguel SCHINCARIOL / AFP

Frente Ampla

Quando surgiu a denúncia de propina de 1,00 dólar por dose de vacina, imediatamente foram criados vários memes com o slogan ” SUA VIDA VALE UM DÓLAR”. Lembrei dos relatos que ouvi, dos vídeos que vi, dos dados, estudos e textos que estudei neste período, dos gráficos produzidos, dos depoimentos diários das famílias, amigos e parceiros ou parceiras dos que se foram nesta pandemia.

Como valorar as histórias, seus significados? Como perceber as dores, as orfandades? Até onde temos condição de ignorar o tamanho de todos esses amores que ficam sem par, sem mãe, sem pai, sem filho ou irmão? Famílias devastadas por perdas da maioria de seus membros em uma única semana, num único mês.

Estudos da rede feminista de ginecologistas e obstetras mostram que somos campeões no mundo em morte de grávidas e puérperas pela Covid 19. São mais de 1400 em todo o país. Em 2021, essas mortes dobraram sua incidência, sendo que as negras tem duas vezes mais chance de morrer do que as brancas. Morrem as mulheres e em grande número, também os bebês não resistem. São duas vidas perdidas por mortes evitáveis. A vacinação não se estabeleceu com prioridade no Brasil e este fato já ganhou questionamento no STF.

 

 

A CPI instalada no Senado da República já demonstrou que o governo Bolsonaro trilhou o caminho oposto ao da ciência, seguiu orientações de um gabinete paralelo, tomou medidas conscientes para aumentar a transmissão do vírus e induziu a morte das milhares de pessoas. Isto tudo se constituiu nos assombrosos números de casos e mortes no Brasil. A dor suplanta a alegria dos brasileiros, amplia a depressão, o aumento do uso de medicamentos antidepressivos e ansiolíticos. A política econômica tem levado a outras angústias como o desemprego, falências, falta de perspectiva e mortes pela extrema pobreza e fome.

Essa realidade, quando deparada com as denúncias e comprovação de corrupção, é sentida de forma profunda e com muita indignação.

Já havia outras denúncias de corrupção e eram muitas. As transações de Paulo Guedes com o sistema financeiro, as políticas de privatização, a exportação de madeira ilegal e demais ações no Ministério do Meio Ambiente, tudo sob os olhos do Presidente da República. Mas quando há superfaturamento e aceleração de uma vacina, que sequer está autorizada pela ANVISA, em detrimento de outras já autorizadas e seguras, que não conseguiram respostas após 57 tentativas, além de outras que foram desprezadas por preconceito ideológico, a revolta explode.

O atraso em vacinar, mata! O desestímulo aos uso de máscaras coloca pessoas em risco! E, enquanto as pessoas se contaminam e morrem, o governo rouba.

Superfatura uma, tenta ganhar propina em outra? Ganhar dinheiro à custa da vida das pessoas? Rir enquanto as pessoas choram?

Não resta alternativa exceto pedir a interrupção deste governo fraudulento, estelionatário da boa fé de muitos.

Há mais de 120 pedidos de impeachment na Câmara dos Deputados. O último a dar entrada levou a alcunha de superpedido porque lista 23 crimes e foi assinado por muitas e amplas representações, incluindo as apurações da CPI. Os atos de rua crescem em força e amplitude.

A Câmara terá que responder e penso, sem qualquer ingenuidade, que com o avanço da apuração na Comissão Parlamentar de Inquérito e com o aumento da pressão institucional e das ruas, a situação ficará insustentável.

Uma só vida vale a nossa indignação e nossa resposta.

IMPEACHMENT JÁ!!

Este texto não reflete necessariamente a opinião de CartaCapital.

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É deputada federal (PCdoB-RJ) e vice-líder da Minoria na Câmara dos Deputados.

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