Frente Ampla

A hora da unidade nacional

O momento exige diálogo, serenidade e muita união. Estamos diante de uma crise sem precedentes na história nacional

Lula e Geraldo Alckmin em 2006. Foto: Mauricio Lima/AFP
Lula e Geraldo Alckmin em 2006. Foto: Mauricio Lima/AFP
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Participei de mais uma edição da “Brazil Conference”, evento organizado por estudantes brasileiros da Universidade Harvard, nos EUA, para debater o futuro do País. Na ocasião, reforcei que a quadra histórica em que estamos nos impõe um desafio muito parecido com o que vivemos nas Diretas Já. O momento exige diálogo, serenidade e união. Estamos diante de uma crise institucional, política, econômica, social e ambiental. É sob este atual cenário, marcado por tanta destruição e tantos retrocessos, que o próximo presidente eleito terá de lidar. A quebra da institucionalidade, as ameaças ao STF, à imprensa, à cultura e a ideologização do Ministério da Educação colocaram o Brasil, inclusive a sua imagem externa, num patamar negativo em que a gente nunca esteve.

Por vivermos num contexto com tantas ameaças, devemos perceber, sem preconceitos, que precisamos de um governo de unidade nacional. Há um trabalho imenso a ser feito para a reconstrução do Brasil. Nesse sentido, o convite feito pelo presidente Lula ao governador Geraldo Alckmin não foi para que ele seja um mero figurante na chapa majoritária. Lula tem plena consciência de que terá de fazer um governo além do PT.

Por isso mesmo, queremos ampliar o nosso projeto de governo. Isso não significa que alguém terá de abrir mão dos seus ideais. Costumo dizer que na democracia ninguém sai 100% satisfeito. Algumas coisas teremos de aprender, outras tantas vamos ensinar. Mas, desde a primeira hora, aplaudi muito essa junção. É imprescindível termos um plano para vencer essa estagnação econômica, reindustrializar o País, ampliar a oferta de emprego, aumentar a renda, ter responsabilidade fiscal, social e ambiental, e trazer a prosperidade de volta ao cardápio do brasileiro. Não há soberania nacional se não enfrentarmos todos estes desafios.

A eleição de 2018 teve como patrono o ódio, o que nos trouxe a este resultado desastroso, sem projeto algum para o Brasil. Já a eleição de 2022 será presidida pela esperança de melhora das condições de vida. As pessoas votarão motivadas pelo sonho da prosperidade. E a última referência que os brasileiros e brasileiras possuem de cidadania plena é a figura do presidente Lula.

Tenho absoluta convicção de que, se ganharmos estas eleições, Lula será um presidente melhor do que foi nos oito anos em que governou o País. Mais que nunca, ele é um líder com muita experiência e muitos aprendizados colhidos na sua trajetória política e pessoal. Não tenho dúvida de que ele fará um governo amplo, de conversa e negociações. A essência de Lula é ser um grande negociador. Não é da natureza dele o rancor. Ele vai governar com a generosidade que o caracteriza e na amplitude que tem.

Temos de encarar a conjuntura histórica em que vivemos, como a oportunidade brasileira de se desenvolver à luz de um grande salto na construção das capacidades produtivas nacionais, com tecnologias na fronteira do conhecimento e de nos tornarmos uma potência ambiental global. O próprio Lula vem insistentemente reforçando isto no seu discurso, ao defender que “a questão ambiental não pode ser apenas um tema acadêmico, nem uma preocupação só da esquerda. Tem de ser uma preocupação do povo do planeta Terra”.

Como tenho defendido, não se trata de uma questão de direita ou de esquerda. A defesa ambiental é um compromisso de quem tem bom senso, essencial para a sobrevivência da atual e, principalmente, das futuras gerações. Para isso, devemos colocar entre os principais objetivos: o combate às mudanças climáticas, a proteção da nossa biodiversidade e a redução das desigualdades no País. Só assim teremos um verdadeiro projeto de soberania.

Neste sentido, a transição ecológica deve ser pauta central no programa de governo de Lula. E precisa estar respaldada num amplo processo de inclusão social, pautado fortemente no respeito, na proteção e na promoção das culturas de nossos territórios, e culminando com o estabelecimento de um país no qual seu povo vive bem, com acesso a direitos humanos básicos, como água e segurança, e com a geração de bons empregos para vidas confortáveis e dignas.

Como presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado Federal, venho defendendo um projeto de sustentabilidade tripartite, contemplando as dimensões econômica, social e ambiental. Sem isso, nós não seremos capazes de recolocar o Brasil nos trilhos do crescimento. Eleger Lula presidente representa a oportunidade histórica de, a partir de 2023, trilharmos uma caminhada com foco na prosperidade para nossa gente e pela esperança por dias melhores. Já mostramos que sabemos construir esse caminho e hoje sabemos da sua urgência. •

PUBLICADO NA EDIÇÃO Nº 1204 DE CARTACAPITAL, EM 20 DE ABRIL DE 2022.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título “A hora da unidade nacional”

 

Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

Jaques Wagner

Jaques Wagner
Senador (PT-BA). Foi governador da Bahia (2007-2015) e ministro do Trabalho (2003-2004), Defesa (2015) e Casa Civil (2015-2016).

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