A história de nossa independência

O livro 'Vozes do Brasil: A Linguagem Política na Independência' reúne panfletos que exprimem a agitação daqueles dias

(Autoria desconhecida/Reprodução)

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Frente Ampla

O Conselho Editorial do Senado Federal (Cedit) programou uma série de atividades e lançamentos de livros para comemorar os 200 anos da nossa Independência, a serem completados no dia 7 de setembro de 2022. As obras versam principalmente sobre a agitação do período que antecede o fim do Brasil-Colônia, mostrando que o movimento de independência foi uma iniciativa coletiva e não ato isolado de uma pessoa.

Uma das obras já lançadas é o livro Vozes do Brasil: A Linguagem Política na Independência (1820-1824). Fruto de uma colaboração entre a Biblioteca Oliveira Lima, sediada em Washington — EUA, e a Comissão Curadora dos 200 Anos da Independência do Brasil no Senado Federal, o livro traz cerca de 20 panfletos políticos produzidos e distribuídos entre os anos de 1820 e 1824. Os textos, manuscritos ou impressos, exprimem a agitação pela qual o país passava. 

Estes panfletos – ou papelinhos, como também eram chamados — foram redigidos tanto no Brasil quanto em Portugal, embora a temática dominante seja focada em terras tropicais. Os textos contribuíram para o debate público nas capitanias, principalmente no Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia, Maranhão e Grão Pará. 

A publicação da obra só foi possível graças à extraordinária coleção de documentos reunidos pelo diplomata e historiador Manuel de Oliveira Lima, cuja biblioteca foi posteriormente doada à Universidade Católica da América, localizada na capital estadunidense. 

No livro podem ser lidos os panfletos em suas versões originais, estando acompanhados de textos de apoio que explicam e contextualizam a história presente nos papelinhos. A obra conta ainda com dois ensaios: “A Linguagem Irada dos Panfletos: Inglaterra, França e Estados Unidos (séculos XVII e XVIII)”, que traça um panorama sobre a linguagem e o uso desse gênero literário na Revolução Inglesa de 1640, a Revolução Francesa e a revolução por Independência das 13 Colônias Inglesas na América. 

O segundo ensaio, “Panfletos da Independência Brasileira”, versa sobre diferentes projetos de emancipação que agitaram o debate político nacional. A exemplo do ensaio sobre a linguagem dos panfletos ingleses, franceses e norte-americanos, também faz uma análise das características, fontes e imaginário de ideias ali difundidas e como elas se espalharam pelo Brasil. Sem dúvidas, uma obra de valor histórico inestimável para essa e as próximas gerações.

O livro vem em um momento delicado da história nacional e cumpre papel patriótico ao exaltar a luta de homens e mulheres pela emancipação popular e fundação do Brasil enquanto nação. Nos panfletos vê-se não apenas o debate sobre nossa independência, mas um exame da sociedade brasileira de então como um todo. As potencialidades do nosso território – e povo – estão lá. 

 

A discussão por liberdade que permeia cada papelinho evidencia o amadurecimento social e político do período em meio à agitação mundial e da qual o Brasil não poderia escapar. As fronteiras planetárias se reconfiguravam, povos reconheciam e desenvolviam seus potenciais, o poder hegemônico global estava em transmutação com reflexos em todos os continentes. Por aqui não seria diferente e o livro agora lançado pelo Cedit narra e transmite de forma vívida o momento seminal de nossa independência.

Em 2022 serão 200 anos de Brasil independente. A nação que emerge da leitura dos panfletos – plural, multiétnica e singular por isso – é um pleno reconhecimento da capacidade de nossa sociedade e povo, com todos os seus defeitos e virtudes. E a nação que diuturnamente nos esforçamos por construir no parlamento. Não tememos ímpias falanges e sua face hostil.

Este texto não reflete necessariamente a opinião de CartaCapital.

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É senador pela Rede/AP, professor, graduado em História, bacharel em Direito e mestre em Políticas Públicas.

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