Frente Ampla

A falta que fará o PSDB na disputa pela Presidência

Houve, sem dúvida, incoerências e atitudes com as quais discordamos. Mas a ausência de um personagem tão importante na história eleitoral brasileira tem valor simbólico considerável

Foto: Reprodução
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A saída do tucano João Dória da disputa pela Presidência da República não representa somente um candidato a menos no pleito, configura a ausência de um partido que esteve em todas as eleições presidenciais realizadas no Brasil após a promulgação da Constituição Federal de 1988. 

O PSDB foi um importante ator no processo de redemocratização e primordial para contornar problemas econômicos no País. A legenda foi do quarto lugar nas eleições de 1989, tendo Mário Covas como cabeça de chapa, até a vitória na votação seguinte, em 1994, quando Fernando Henrique Cardoso foi eleito ainda no primeiro turno. Feito repetido em 1998. 

FHC foi um dos grandes idealizadores do Plano Real, ainda como ministro da Fazenda no governo de Itamar Franco, e deu continuidade à política econômica ao assumir a Presidência. Uma estratégia que retomou o poder de compra da moeda brasileira e combateu com êxito a hiperinflação herdada pela ditadura militar, regime diretamente relacionado a um retrocesso nacional na distribuição de renda e igualdade social.

Além disso, a política implantada pela sigla marcou o início de ações de enfrentamento à pobreza com programas de transferência de renda, como o Bolsa Escola e o Bolsa Alimentação. Políticas essas que foram reorganizadas, ampliadas e intensificadas na gestão de Lula, mas cujo embrião merece o devido crédito.

Houve, sem dúvida, incoerências e atitudes com as quais discordamos, por exemplo: a forma atabalhoada como foram conduzidas algumas privatizações; a redução de direitos de trabalhadores; o aumento da dívida pública e, mais recentemente, o questionamento da lisura do processo eleitoral brasileiro após a derrota nas urnas, em 2014, tristes episódios com envolvimento da legenda.

Mas não vamos nos ater a isso, nem a números sobre percentuais de votos atribuídos a determinados pré-candidatos este ano. Deixaremos isso para os estrategistas de campanha.

A nossa nação tem uma democracia recente e questionada diariamente por uma corja autoritária que ocupa altos cargos na República. Por isso, precisa de apoio e construção constantes, com respectivos agentes dispostos a fazer parte desse processo. 

A ausência, no pleito deste ano, de um personagem tão importante na história eleitoral brasileira, tem valor simbólico considerável para a representatividade e pluralidade ideológica e partidária, além de deixar vago um espaço sempre ocupado na discussão de mudanças para o povo. 

 

Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

Randolfe Rodrigues

Randolfe Rodrigues
É senador pela Rede/AP, professor, graduado em História, bacharel em Direito e mestre em Políticas Públicas.

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