Editorial – Midas pelo avesso: Bolsonaro prejudica quem apoia

A malignidade do nosso Rei Midas fica exposta com toda a imponência de quem é a sua própria vítima

Apoio do presidente da República é francamente daninho Foto: Alan Santos/PR

Apoio do presidente da República é francamente daninho Foto: Alan Santos/PR

Opinião

Comenta Rodrigo Martins, às vésperas das eleições municipais: “Bolsonaro tornou-se um Midas ao avesso”. Rodrigo está por dentro da situação por ser incumbido das análises e previsões sobre o pleito iminente e verifica que, à luz das derradeiras informações o apoio do presidente da República é francamente daninho para quem quer que seja.

 

 

Cabe a CartaCapital declinar, como de hábito, as suas preferências e o seu apoio. Por exemplo: Guilherme Boulos e Luiza Erundina são os nossos candidatos para a prefeitura de São Paulo. Aos meus olhos, Bruno Covas tem o mérito de ser neto de Mário Covas, que admirei em outros tempos, de quem fui amigo e que, quando governador, sempre prestigiou CartaCapital.

Boulos representa, no entanto, um novo gênero de liderança partidária, claramente orientada, senhor de um currículo que o enobrece. Ao lado da impávida Erundina, ele se vale bastante dessa parceria com alguém tão experiente e calejado quanto esta minha velha amiga que ganhou a prefeitura ao enfrentar Paulo Maluf e Antônio Ermírio de Moraes. Prefeita, teve atuação impecável ainda num tempo em que o sistema eleitoral era o majoritário.

As razões desta nossa adesão tanto a Boulos quanto a Erundina transcendem o fato de que o primeiro é nosso colunista há muito tempo, a resultar de uma escolha recíproca e dela em razão da velha amizade. Da mesma forma, estamos com a candidatura de Marília Arraes no Recife, cujo avô respeitei no tempo certo. Ela também é colunista de CartaCapital, mas isto não basta para expor a nossa preferência. Trata-se de uma jovem já de liderança afirmada, em condição de seguir as pegadas da família.

O mesmo se pode dizer de Manuela d’Ávila, personagem de destaque no cenário político faz um bom tempo. Outras preferências são precipitadas pelo propósito de fazer o bem do País. Por isso vai o apoio irrestrito de CartaCapital a José Sarto, candidato do PDT à prefeitura de Fortaleza. No Rio, a situação apresenta peculiaridades: tanto Martha Rocha quanto Benedita da Silva figuram como as escolhas certas.

A malignidade do nosso Rei Midas fica exposta com toda a imponência de quem é a sua própria vítima, senão vejamos: bastou, em Fortaleza, defender a candidatura do Capitão Wagner para que Sarto crescesse até o favoritismo. Bastou insistir no nome de Marcelo Crivella no Rio de Janeiro para elevar exponencialmente as cotações de Martha Rocha. São Paulo não deixou de ser também campo de uma batalha perdida. Bolsonaro começou por apoiar o candidato Celso Russomanno e logrou eliminá-lo da contenda e com isso permitiu a evolução significativa da chapa Boulos/Erundina.

No caso de Russomanno, o ex-capitão esqueceu o apelido que seu candidato merece há algum tempo: “cavalo paraguaio”. Consta que no Paraguai nascem mais zebras que equinos.

 

 

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