

Opinião
Dinheiro suado
As redes fitness resistem às crises e não param de crescer
O mercado fitness no Brasil tem, ano a ano, se consolidado como um dos focos de negócios que mais resistem às crises. Grupos como Smart Fit, Bluefit, Panobianco e Selfit investem de maneira consistente em operações que geram resultados no presente e têm enorme perspectiva para o futuro. Segundo a 4ª edição do Panorama Setorial Fitness Brasil, o País tem 1,27 milhão de profissionais formados em Educação Física, Fisioterapia e Nutrição, além de perto de 890 mil estudantes. Do lado empresarial, o número de centros de atividades físicas quase triplicou em dez anos, de 22,6 mil em 2015 para 62,7 mil em 2025, com projeção de superar 70 mil até 2027. Em faturamento anual, 27% das operações ainda estão abaixo de 100 mil reais, mas 11% superam a marca de 1 milhão de reais, evidenciando um setor altamente pulverizado, porém com ilhas de grande escala.
Entre os praticantes, o retrato é de um público adulto, de renda intermediária e alta adesão à rotina de treino. A amostra é equilibrada entre homens e mulheres, concentrada entre 31 e 55 anos, majoritariamente casada (58%). Do total, 32% ganha até 5.648 reais e 48% entre 5.649 e 21.180 reais. Agora um dado para fazer você se mexer: 93% praticam atividade física ao menos uma vez por semana. É melhor começar a suar a camisa como seus amigos.
Tramontina verde
A Tramontina dá um novo passo na agenda ESG ao ampliar a linha de móveis Oceano +Clean, feita com plástico coletado no litoral e no mar. O que começou como um lote piloto de cadeiras Isabelle e Gabriela, em poucas cores e tiragens limitadas, ganha fôlego industrial com a entrada de novos modelos, como a cadeira Marina, e aumento de escala produtiva voltada ao varejo de massa e ao mercado corporativo. A estratégia é transformar um projeto de nicho em plataforma contínua de reciclagem, agregando valor à marca e criando barreiras competitivas num segmento altamente comoditizado.
O projeto como um todo conecta mutirões de limpeza de praias, operadores de reciclagem e a fábrica da Tramontina Delta, em Pernambuco, que incorpora o plástico beneficiado na produção de móveis. A empresa ganha o discurso de impacto ambiental mensurável, reforça relações com grandes redes e responde à pressão de consumidores e investidores por produtos de origem rastreável.
Folia lucrativa
O Carnaval de 2026 deve injetar 14,48 bilhões de reais no turismo brasileiro, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o maior volume registrado para a data. A cifra representa alta real de 3,8% sobre 2025, quando a festa movimentou 12,03 bilhões de reais, descontada a inflação. O avanço consolida a recuperação pós-pandemia e confirma o feriado como peça-chave do faturamento de verão para as empresas de serviços, comércio e entretenimento.
Os bares e restaurantes aparecem como os principais ganhadores do Carnaval, com receita prevista de 5,77 bilhões de reais, ante 5,4 bilhões de reais em 2025. Em seguida vêm os transportes rodoviário e aéreo, com 3,73 bilhões de reais, e a hospedagem em hotéis e pousadas, que deve faturar 1,44 bilhão de reais. Juntos, esses três segmentos tendem a concentrar mais de 74% da receita do período, ancorados em fluxo recorde de 1,42 milhão de turistas estrangeiros, câmbio favorável e inflação de serviços sob maior controle. A CNC projeta ainda a abertura de 39,2 mil vagas temporárias, com destaque para alimentação fora do lar, que sozinha deve responder por quase 28 mil contratações.
Anti-Trump
A política pode ser divertida e até mesmo gerar frutos financeiros, muito além de negócios esquisitos ou rachadinhas. Bonés vermelhos com a inscrição “Make America Go Away”, à venda na Groenlândia e na Dinamarca, transformaram um símbolo político em oportunidade de negócios. Inspirados e ao mesmo tempo críticos aos tradicionais bonés “Make America Great Again” de Donald Trump, os acessórios surfam a tensão diplomática em torno do interesse dos Estados Unidos em anexar a ilha.
Um dos criadores é o designer dinamarquês Jens Martin Skibsted, ligado ao site c55 e à ONG Uagut, que produz e comercializa modelos com o slogan “Make America Go Away” e variações ligadas à cultura local, com parte da receita destinada a causas sociais. Outro protagonista é Jesper Rabe Tønnesen, dono de uma loja vintage em Copenhague, que encomendou vários modelos de bonés satíricos e viu o estoque encalhado tornar-se um sucesso de vendas depois de os protestos contra Donald Trump ganharem escala. •
Publicado na edição n° 1398 de CartaCapital, em 04 de fevereiro de 2026.
Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Dinheiro suado’
Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.
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