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Derrotemos o obscurantismo em todas as frentes

Continuaremos a ser um país soberano ou viraremos colônia dos EUA? Será isso que teclaremos na urna

Derrotemos o obscurantismo em todas as frentes
Derrotemos o obscurantismo em todas as frentes
Carnaval 2025 - Sambódromo do Anhembi, desfile das Campeãs do carnaval de São Paulo. Academicos do Tatuapé. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
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“O sonho encheu a noite
Extravasou pro meu dia
Encheu minha vida
E é dele que eu vou viver
Porque sonho não morre.”

Adélia Prado

Temos uma campanha eleitoral pela frente.

A escolha será entre existência ou extinção.

Continuaremos a ser um país soberano ou viraremos colônia dos EUA? Será isso que teclaremos na urna.

Ao lado disso, iremos optar pela sobrevivência da espécie, contendo o aquecimento global, ou cair na exploração ilimitada dos recursos naturais, como faz a extrema direita internacional — a estadunidense em primeiro lugar, mas também a vassala local, com a famiglia Bolsonaro à frente da destruição ambiental, passando a boiada do suicídio da humanidade.

Será importante também distribuir os votos entre homens e mulheres, inclusive aquelas trans e LGBTQIAPN+.

Derrotemos o obscurantismo em todas as frentes.

Dessa forma, também estaremos defendendo a verdade, pois aqueles que utilizam Deus para seus propósitos inconfessáveis, na verdade, querem subordinar a pátria aos seus interesses pessoais e estrangeiros — e têm famílias em que só os interesses econômicos os unem.

Notemos quão necessário é termos uma noção clara de quem somos e por que estamos aqui.

Vale notar que alguns dos nossos maiores intelectuais parecem ter fruído sua seiva dessa capacidade de dimensionar o Brasil, sua gente e riquezas.

Seria um acaso que alguns deles eram diplomatas, como Vinícius de Moraes, João Cabral de Melo Neto e Guimarães Rosa?

Clarice Lispector não era esposa de diplomata?

Terem vivido no exterior não lhes trouxe um cabedal diverso para sua produção?

Mas seria isso um determinismo? Certamente, não.

Adélia Prado é prova disso, conseguindo ser universal sem precisar sair das Minas Gerais.

Um mineiro ainda mais raiz, porque indígena, Ailton Krenak, reflete sobre a atualidade, de modo singular, em Um rio um pássaro (Editora Dantes):

“Ora, é bom despertar para a emergência global. Ela não é mais só climática; ela é humanitária, é uma questão de justiça. Inclusive, existe hoje um consenso de que nós precisamos criar mecanismos de aplicação da chamada ‘justiça reparatória’. A justiça reparatória é tirar privilégios de quem tem privilégios demais e minorar o sofrimento de quem tem sofrimento demais.”

Em outro diapasão, Anselm Grün, em Poder: uma força sedutora (Editora Vozes), formula:

“A prudência inclui sempre também o dom do discernimento… Tomás de Aquino vê uma ligação entre prudência e providência, ou seja, a abertura de um futuro positivo. A prudência é a capacidade de possibilitar um bom futuro para as pessoas.”

Ou seja, foi a imprudência que nos trouxe à beira da catástrofe climática e ambiental.

O desrespeito pela ciência e suas evidências, o desprezo pelo conhecimento. Tudo o que a famiglia Bolsonaro propugna e a extrema direita avaliza.

Em O corpo encantado das ruas (Editora Civilização Brasileira), Luiz Antonio Simas demonstra como a sociedade civil toma as rédeas da sociabilidade negada pelo capitalismo, para o qual “tempo é dinheiro” e conversar é “jogar conversa fora”:

“A intervenção brutal em um espaço ignorado ao longo de anos pelo poder público — descaso histórico que faz com que a própria população construa, à margem da ordem institucional, seus mecanismos de sobrevivência, sociabilidade, trabalho e lazer — é puro temor obsessivo de multidões… Festejar, tocar tambor, tomar umas geladas depois do trabalho, comer a tapioca com gosto do Nordeste, mandar brasa no churrasquinho, jogar conversa fora depois do perrengue do trabalho e da experiência de sardinha em lata dentro do ônibus, no eterno engarrafamento da Avenida Brasil, na hora do sufoco, é o mínimo que se pode fazer para que a condição humana prevaleça diante de tudo que a embrutece. E há de prevalecer.”

De fato, tempo é muito mais do que dinheiro e conversa nunca é jogada fora.

Se os progressistas conseguissem perceber a importância dos espaços de sociabilidade, suas relações com os pastores neopentecostais seriam bem diversas, uma vez que são eles os que provêm os únicos espaços de sociabilidade para as mulheres nas periferias (os homens têm ainda as biroscas).

A relação da sociabilidade com a política?

Simas aduz:

“…o carnaval é o mais politizado dos folguedos brasileiros.”

Não invertemos os valores da sociedade capitalista, racista, homofóbica na festa de Momo?

Sim, provamos, dessa maneira, anualmente, que outro mundo é possível, no plano individual e coletivo. É a nossa contribuição para um mundo livre, não hierarquizado, anarquista, em toda a acepção política do termo.

A força da nossa cultura nos garante que nunca seremos dominados, pois a tristeza não pode vencer a alegria, assim como as trevas só reinam enquanto a luz não chega; diante da luz, desaparecem, como se nunca tivessem existido. Esse é o destino inexorável do mal, na presença do bem.

A opinião de colunistas e articulistas não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

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