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Cresce a onda chinesa

Duas novas montadoras da potência asiática chegam ao mercado brasileiro

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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita à linha de montagem de veículos da BYD. Polo Petroquímico, Camaçari - BA. Foto: Ricardo Stuckert / PR
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A BAIC e a Dongfeng são dois dos nomes da segunda onda chinesa prestes a disputar espaço no mercado brasileiro de carros, hoje dominado por BYD, GWM e CAOA Chery. Ambas chegam com foco em SUVs e veí­culos eletrificados, mas em momentos e formatos diferentes.

A BAIC Group, estatal de Pequim e uma das maiores montadoras da China, estrutura a operação a partir de um escritório em São Paulo e planeja o lançamento oficial da marca no Brasil em outubro próximo. A estratégia inclui começar por importação, com ao menos quatro modelos: o elétrico compacto Arcfox T1 (rival de BYD Dolphin), o SUV X55, o SUV BJ30 e uma picape ainda não batizada. O Arcfox T1 deve ser o cartão de visitas, com motor de perto de 95 cavalos, bateria de 42,4 quilowatts e autonomia de até 400 quilômetros no ciclo chinês, enquanto o BJ30 aposta em dois motores elétricos, tração integral e mais de 400 cavalos para disputar um nicho de SUVs elétricos de maior desempenho. A marca quer iniciar a operação com cerca de 20 concessionárias e alcançar 50 pontos de venda em 2027, começando por estados como São Paulo, Minas Gerais e Paraíba. Em paralelo, estuda a produção local, com fábrica própria ou em parceria com estruturas existentes.

Já a Dongfeng, quarta maior montadora estatal chinesa e parceira de Nissan, Honda, Stellantis e Kia, confirmou oficialmente a entrada no Brasil com horizonte de estreia em 2027. A marca planeja construir, primeiro, uma rede de concessionárias e trazer um portfólio de ­SUVs, sedãs e picapes, incluindo modelos a combustão, híbridos e elétricos. Entre os candidatos estão SUVs derivados da linha própria e uma família de picapes Rich 6, Rich 7 e Z9, com versões híbridas e até elétricas oferecidas na China.

Brasil no ar

A aviação brasileira começou em 2026 com sinais claros de aquecimento no setor. No primeiro trimestre, 33,5 milhões de passageiros viajaram em voos domésticos e internacionais, alta de 7,7% sobre igual período do ano passado, segundo dados da Anac compilados pelo Ministério de Portos e Aeroportos. O desempenho consolida a retomada iniciada no ano passado, quando o País havia batido recorde histórico de 129,6 milhões de viajantes ao longo de 2025. O ano-novo começou forte em janeiro e fevereiro, com 22,9 milhões de passageiros transportados, o melhor primeiro bimestre em 25 anos de série histórica, crescimento de 10,1% em relação ao mesmo período­ do ano anterior. Em março, o fluxo somou 10,6 milhões de clientes, alta de 3,1% na comparação anual, mantendo a tendência de expansão mesmo em um mês tradicionalmente menos aquecido.

Heinz sem açúcar

A Heinz acaba de lançar no Brasil o ­Ketchup Heinz Zero, primeira versão nacional sem adição de açúcar, e quer transformar o “sem açúcar” em novo padrão da categoria, não apenas em nicho de dieta. Desenvolvido ao longo de mais de um ano em parceria entre o time brasileiro e o centro global de inovação da marca na Europa, o produto chega aos supermercados com a promessa de manter o sabor clássico, mas com perfil nutricional mais leve. A nova fórmula não se limita a retirar o açúcar. Ela aumenta a concentração de tomate para 210 gramas por 100 gramas de ketchup, reduz em 50% as calorias e em 25% o sódio em comparação à versão tradicional. A estratégia é tratar o zero como produto de massa. Para o lançamento, a empresa pretende reforçar estratégias de comunicação e distribuição, além de adotar uma política de line price, colocando o Ketchup Heinz Zero na mesma faixa de preço do ketchup normal, para reduzir barreiras à experimentação. Tradicionalmente, as marcas tendem a colocar os produtos zero com preços mais elevados.

Além das canetas

A Eli Lilly, dona de medicamentos de sucesso para obesidade e diabetes tipo 2, como Mounjaro e Zepbound, fechou um acordo bilionário para adquirir a biotech Kelonia Therapeutics, especializada em terapias contra o câncer, em um negócio que pode chegar a 7 bilhões de dólares. A operação dá à farmacêutica acesso a uma plataforma de CART in vivo, que promete reprogramar células T diretamente no corpo do paciente, simplificando um dos tratamentos mais complexos e caros da oncologia atual. Com mais esse investimento, a Lilly busca diversificar ainda mais a operação e cria novas receitas em tratamentos complexos investindo em produtos inovadores e com muito menos concorrência. O mercado oncológico global é estimado em 240 bilhões de dólares por ano. De outro lado, a companhia aposta em uma tecnologia que pode derrubar barreiras logísticas e de custo das terapias CART tradicionais, hoje restritas a poucos centros de alta complexidade. •

Publicado na edição n° 1411 de CartaCapital, em 06 de maio de 2026.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Cresce a onda chinesa’

A opinião de colunistas e articulistas não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

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