

Opinião
Copinha e Copão
O Cruzeiro vence o torneio de futebol sub-20, o Flamengo reforça seu favoritismo com Paquetá, a Champions entra na fase decisiva e o Mundial de Seleções está logo ali
No dia do aniversário da cidade de São Paulo, 25 de janeiro, tradicional data da final da copa de futebol júniores que leva o nome da metrópole, o Cruzeiro levou a melhor e conquistou o título pela segunda vez. Houve um número recorde de equipes inscritas, 128, das mais diversas origens e regiões, o que consagra a ideia de um grande “peneirão”, um torneio para revelar novos atletas.
Muitas críticas são feitas no decorrer de janeiro quanto ao número elevado de concorrentes e as condições das disputas, que, por lógica, não poderiam ser as melhores em termos de viagens, acomodações, campos e outras. Resta a esperada chance de revelar jovens para a carreira profissional, mas, na visão da cartolagem, principalmente, “fazer algum dinheiro”.
No balanço geral, somados todos os torneios, copas e campeonatos que se estendem para as categorias de base, englobando também o futebol feminino, tem-se a ideia do tamanho da encrenca. As últimas observações quanto à qualidade do futebol profissional têm chegado ao ponto de serem consideradas entediantes algumas partidas transmitidas pela televisão, acusando tais jogos de provocar o desinteresse crescente do público.
Vale lembrar o alerta do visionário João Saldanha: “Eles vão acabar matando a galinha dos ovos de ouro”, a paixão dos torcedores pelo fascinante “jogo da bola”. Trata-se de colocar o ganho financeiro acima de tudo, quando na realidade é um meio e não o fim da linha, embora não se possa negar que a “saúde econômica” deve estar sempre à frente.
O momento em que vivemos ilustra bem a situação, com os tais transfer bans atingindo vários clubes. Quando se olhar a retaguarda, são inúmeros os clubes de histórias ricas para suas comunidades que vão deixando de existir.
Ao mesmo tempo, o início dos “estaduais” deixou evidente a confusão na qual estão metidos muitos clubes, obrigados a começar com equipes de base em face dos compromissos sobrepostos. Embora muitos times ainda estejam na fase de ajustar seus elencos, o “Brasileirão” deu a largada com vários clássicos e a novidade: prolongar-se de janeiro a dezembro.
Vamos ver como terminaremos 2026. De início, o Flamengo larga como favorito, com o Palmeiras na cola se reestruturando e o Cruzeiro por fora, dando mostras das suas pretensões com a vitória na Copinha. Nos últimos dez campeonatos, Flamengo e Palmeiras conquistaram o título sete vezes. A chegada do Lucas Paquetá reafirma a disposição do rubro-negro de garantir um novo período vitorioso.
Os gaúchos Grêmio e Internacional, que sempre disputam os primeiros lugares, têm o ano inteiro para se reafirmar. Entre os clubes que lograram o acesso, o Remo está de volta depois de levar para Belém o experimentado dirigente Marcos Braz, que provocou uma revolução e conseguiu trazer um time do Norte à divisão principal depois de muito tempo.
No meio de tudo, entre junho e julho, teremos a Copa do Mundo, ameaçada de boicote diante das aberrações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com suas medidas estapafúrdias, delirantes e irresponsáveis.
A Seleção Brasileira tem um refresco por enquanto. Trabalha “na moita” e marcou amistosos de despedida antes de embarcar para a América do Norte.
Cumprindo metade do calendário no futebol europeu, a Champions League, onde se joga o melhor futebol da atualidade, chega às oitavas de final num período no qual o Arsenal desponta como o de melhor campanha, ameaçando a fama de Real Madrid, Manchester City, Barcelona, Bayern de Munique e PSG.
Entre os jogadores que têm se destacado de saída no nosso futebol, a ida do jovem Rayan, do Vasco para o Bournemouth, deixa um desapontamento quanto ao futuro. Jovens continuam a sair muito cedo, o que empobrece os nossos times.
Para compensar as perdas, cada dia o Carnaval se aproxima e toma conta da emoção dos brasileiros, renovando a esperança em um ano de tanta expectativa. •
Publicado na edição n° 1398 de CartaCapital, em 04 de fevereiro de 2026.
Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Copinha e Copão’
Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.
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