

Colunas
Coisa de gente grande
O público acima de 18 anos na China é o alvo da Lego
A Lego aposta nos adultos como força central para acelerar o crescimento na China, em um mercado de brinquedos que segue em expansão e sofisticando o perfil de consumo. A empresa dinamarquesa vê o país como mercado estratégico e tem investido em inovação no varejo, campanhas esportivas e linhas específicas para o público acima de 18 anos.
De acordo com dados setoriais, as vendas de brinquedos na China chegaram a cerca de 103,53 bilhões de yuans em 2025, cerca de 77,6 bilhões de reais. No segmento de brinquedos de construção, categoria que inclui a Lego, o mercado chegou a 12,9 bilhões de reais em 2025 com projeção de atingir a 14,8 bilhões de reais em 2028, reforçando o potencial de expansão em nichos mais sofisticados e com maior valor agregado.
Embora crianças com menos de 10 anos ainda respondam por mais de 65% das vendas globais de brinquedos, a participação de consumidores mais velhos cresce de forma consistente. Relatórios da própria companhia indicam que três em cada quatro adultos gostariam de dedicar mais tempo a atividades criativas, o que abre espaço para linhas como Lego Icons, Technic e coleções inspiradas em esportes e cultura pop. O movimento acompanha uma tendência global de adult play, em que produtos antes associados ao universo infantil ganham status de hobby, objeto de coleção e ferramenta de bem-estar.
Debulhar o trigo
A M. Dias Branco, uma das maiores empresas de alimentos do Brasil, deu um passo estratégico ao criar uma vertical de negócios e entrar no segmento de nutrição animal. A companhia lançou a marca Gran Farelo, voltada à alimentação de bovinos, suínos, aves e equinos, aproveitando o farelo de trigo, subproduto da moagem utilizado até então principalmente a granel. Com isso, a empresa busca agregar valor ao farelo e criar uma proteção natural contra a volatilidade dos preços do trigo, ao transformar um insumo de menor margem em produto industrializado com identidade própria. Inicialmente, o foco é atender frigoríficos, granjas e grandes pecuaristas, mas a M. Dias Branco também pretende usar a capilaridade de seus sete moinhos e 25 centros de distribuição para alcançar pequenos varejos e produtores. O movimento reforça a estratégia de diversificação da companhia, dona de marcas como Adria, Vitarella e Piraquê, e alinha o ganho de eficiência industrial com a expansão em um mercado de nutrição animal em crescimento.
Autoinvestimento
Quanto custa ficar em forma? Se você é um endinheirado em São Paulo e acha que todo investimento vale a pena, pode se preparar para pagar 7 mil reais de mensalidade na Vicci Studio, novo concorrente do mercado fitness de ultraluxo. A academia nasceu com investimento de cerca de 8 milhões de reais e aposta em um modelo que mistura ciência do movimento, tecnologia e hospitalidade de alto padrão. Instalada em um espaço de aproximadamente 250 metros quadrados, a Vicci atende até oito alunos por vez, com acompanhamento individual e foco em mobilidade, longevidade e prevenção de lesões, mais do que em hipertrofia pura. O pacote inclui treinos personalizados, monitoramento em tempo real, equipamentos de última geração e serviços de recuperação física, como protocolos de regeneração e acompanhamento nutricional.
VW para pedalar
Quanto custa levar o “DNA Golf GTI” para a ciclovia? A Volkswagen acaba de lançar uma e-bike de alta tecnologia que leva para o mundo das duas rodas o pacote de segurança típico dos seus carros, em parceria com a fabricante especializada n+. Batizada de Volkswagen Smart Bike, a bicicleta elétrica chega em versões Sport e Crossover, com motor central Yamaha de 250 W, assistência até cerca de 25 km/h e autonomia que pode alcançar 160 quilômetros com bateria extra. O foco está, porém, menos na velocidade e mais na proteção do ciclista: o modelo incorpora câmera traseira integrada a radar, alerta de ponto cego, iluminação inteligente em faixa de LED e conectividade com capacete e óculos smart equipados com sistema de head-up display. Em caso de acidente, o capacete inteligente é capaz de enviar notificações automáticas para contatos de emergência. Nos Estados Unidos, os preços partem de cerca de 4 mil dólares, enquanto no mercado europeu há pré-vendas em torno de 3 mil euros, posicionando a e-bike da Volkswagen no segmento premium da micromobilidade elétrica. A montadora mira consumidores que querem transformar o deslocamento diário em experiência tecnológica e de segurança, aproximando a bicicleta do conceito de “carro compacto conectado” sobre duas rodas. •
Publicado na edição n° 1424 de CartaCapital, em 05 de agosto de 2026.
Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Coisa de gente grande’
A opinião de colunistas e articulistas não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.



