

Opinião
Baterias carregadas
Empresa gaúcha amplia a rede de eletropostos
O Grupo Farroupilha, holding gaúcha com faturamento de 500 milhões de reais e 32 postos tradicionais, vem redesenhando seu negócio com a Esquina do Futuro, rede de eletropostos estruturados focada em recarga rápida e conveniência completa. Fundado a partir da reativação de antigos postos no Rio Grande do Sul, o grupo consolidou relações com grandes distribuidoras e criou marcas próprias de conveniência, como a Alegrow, agora usadas como âncoras dos novos hubs de mobilidade elétrica.
O plano prevê investimentos que podem superar 10 milhões de reais por unidade, com capital destinado à infraestrutura elétrica reforçada, múltiplos pontos de recarga e áreas de serviços, em um modelo de operação própria, em vez de simples locação de carregadores em terceiros. A rede adquiriu mais de 50 carregadores rápidos e ultrarrápidos, com potências que vão de 40 a 80 quilowatts por ponto, capazes de levar a bateria de 20% a cerca de 80% em até 60 minutos.
A próxima etapa será a instalação, em Porto Alegre, da estação de recarga mais potente em uso no País, um High Power Charger de 480 quilowatts fornecido pela WEG, em parceria com a integradora Tupi. A solução consegue alimentar até quatro veículos simultaneamente, com potência dinâmica por conector que pode chegar a 400 kW, permitindo recargas completas em perto de 15 minutos em alguns modelos.
A recarga rápida se diferencia dos pontos lentos domésticos por operar em corrente contínua de alta potência, por meio de cabos refrigerados e gestão eletrônica para entregar grandes quantidades de energia em pouco tempo, sem comprometer a segurança. O sistema monitora a temperatura, isola falhas e ajusta a potência em tempo real conforme a capacidade da bateria, o que exige investimentos robustos em cabine de potência, transformadores e proteção elétrica.
Tijolo por tijolo
O Minha Casa, Minha Vida encerrou 2025 com resultados recordes, superando com folga as metas traçadas no relançamento do programa. Desde 2023, foram contratadas mais de 1,9 milhão de unidades habitacionais, número próximo dos 2 milhões de moradias projetadas para o fim de 2026. Somando financiamentos e unidades subsidiadas, o triênio recente supera 1,3 milhão de famílias efetivamente atendidas.
O impacto financeiro também é alentado. Apenas em 2025, o MCMV operou com um orçamento em torno de 180 bilhões de reais, ajudando o total investido desde 2023 a ultrapassar a marca de 300 bilhões de reais em habitação popular. Os recursos transformaram o programa no principal motor da construção civil, impulsionando canteiros de obras em todas as regiões e contribuindo para a criação de cerca de 3 milhões de empregos formais no setor. A maior parte dos beneficiários está nas faixas de menor renda, com prioridade para famílias que ganham até 4,7 mil reais mensais e que concentram mais de 661 mil unidades contratadas até o início de dezembro de 2025.
Chineses no DF
A BYD e a GWM fecharam 2025 como protagonistas no Distrito Federal, onde os carros chineses assumiram a liderança nas vendas de veículos novos e, em alguns recortes, responderam por em torno de um quinto dos emplacamentos, à frente de marcas tradicionais. No varejo da capital federal, a participação da BYD supera 19% e consolida a preferência local por híbridos e elétricos, segmento no qual a marca lidera com folga. No Brasil como um todo, o mercado de automóveis e comerciais leves somou 2,55 milhões de unidades emplacadas em 2025, alta de 2,6% sobre o ano anterior. O ranking nacional segue dominado por Fiat, Volkswagen e Chevrolet, que venderam 533.710, 436.297 e 275.965 veículos, respectivamente, concentrando quase metade das novas unidades licenciadas no País.
Ni hao, Ford
A Ford está em negociações avançadas com a BYD para o fornecimento de baterias destinadas a modelos híbridos. Após reduzir investimentos em elétricos puros e registrar um impacto contábil de 19,5 bilhões de dólares ligado a projetos cancelados, a companhia busca uma solução mais flexível e de menor custo para manter presença no segmento. Pelo desenho discutido, a BYD fornecerá baterias para fábricas da Ford fora dos Estados Unidos, em países como Alemanha, Espanha, Tailândia e Turquia, driblando parte da pressão política doméstica contra a dependência de tecnologia chinesa. O acordo, ainda não concluído, aproxima a montadora norte-americana de um dos líderes globais em baterias e carros elétricos, fortalecendo sua oferta de híbridos quando a transição energética se torna mais gradual e pragmática. •
Publicado na edição n° 1397 de CartaCapital, em 28 de janeiro de 2026.
Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Baterias carregadas’
Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.
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