Opinião

As boas surpresas

As surpresas da temporada que começa a se fechar no futebol brasileiro são o Corinthians entre os primeiros colocados do Campeonato Brasileiro e o Botafogo sagrado campeão da Série B. Quem diria, no começo do ano, que os dois clubes atolados em problemas dariam a […]

As surpresas da temporada que começa a se fechar no futebol brasileiro são o Corinthians entre os primeiros colocados do Campeonato Brasileiro e o Botafogo sagrado campeão da Série B. Quem diria, no começo do ano, que os dois clubes atolados em problemas dariam a volta por cima num cenário ameaçador como o que se apresentava no início?

Acabam por ser, ambos os resultados, uma lição alentadora para estes tempos escabrosos que também no panorama político se evidenciam. É, de toda forma, chegada a hora de receber a luz e o calor do verão que aos poucos se aproxima, sem deixar de seguir os cuidados preventivos da pandemia que insiste em recrudescer.

Como sinal dos tempos, têm prosseguimento as manifestações da tensão crescente que aflora dentro e fora dos campos. Desta vez, foi o jogo do Guarani – time na luta para subir – que terminou com uma série de jogadores expulsos, algo que vai dificultar ainda mais o seu acesso ao Grupo A.

Depois da vitória sobre o Bragantino, que deu, esta semana, o título da Copa Sul-Americana ao Athletico Paranaense, teremos neste sábado 27 a decisão da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras. O clássico vai ser atropelado pelo encerramento do Brasileirão, que leva os clubes a jogarem partidas decisivas umas em cima das outras.

Fora do circuito dos grandes times, tive a oportunidade, em visita ao interior paulista, na cidade de Jaú – por ocasião do feriado de 15 de Novembro –, em um encontro de esportistas ligados ao “Galo da Comarca”, de ser informado de duas notícias, uma ruim, outra boa.

A ruim foi saber do enfraquecimento ou extinção dos campeonatos Varzeano e de Amadores, algo fundamental na formação das novas gerações de desportistas. Sou, inclusive, um representante desse tipo de organização.

A notícia boa foi saber da realização dos “Jogos Escolares” na vizinha cidade de Dois Córregos, que mantém um Botafogo bastante atuante. Fiquei contente de saber que, apesar de tudo, existe resistência em todos os recantos deste país.

O tradicional time carioca celebra a vitória

Já do lado de fora do campo, vimos cenas de horror na chacina da ­Comunidade­ do Salgueiro de São Gonçalo, no Estado do Rio de Janeiro. Têm sido dias tormentosos para um contingente inumerável de pessoas jogadas à própria sorte por todo o Brasil, estiradas pelas praças e ruas.

A viagem de Lula à Europa, por outro lado, tranquiliza quem se aflige com as ocorrências desastrosas do dia a dia na política nacional, hoje relegada à barbárie. Sobre a barbárie que Jair Bolsonaro representa, vale ler o texto da jornalista Fabiana Morais, no The Intercept Brasil. Ela não deixa pedra sobre pedra.

Ainda sobre a viagem de Lula, o que me chamou a atenção, ao final de uma das falas no Velho Continente, foi o fato de ele ter empregado uma palavra-chave dos poderes modernos: geopolítica.

Está na geopolítica, afinal de contas, a solução das questões que determinam o desarranjo hoje vivido por nós. Devemos nos empenhar na luta pelas necessidades do dia a dia, expressa na corrosão dos salários diante do descontrole dos preços dos gêneros essenciais, mas precisamos entender que essa luta está obrigatoriamente em questões macro do mundo. O mundo, como todos sabemos, está mais que nunca interligado.

Tanto é assim que bastou o anúncio retumbante do “gusano” Juan Guaidó de que tomaria posse na Venezuela, no fim da semana, para que pousassem quatro aviões russos em Caracas. E nunca mais se falou no assunto. Claro que há, em todo este processo, outras tramas sub-reptícias, mas o fator determinante dos poderes em jogo foi a geopolítica atual.

Apesar de tudo, comecei a ficar ainda mais confiante na superação deste período tenebroso quando Chico Buarque foi visitar o papa Francisco. Além da luta diária pela sobrevivência, é preciso atuar junto aos altos poderes, afinal de contas, quem banca a miséria a que somos submetidos? É preciso trazer isso à luz do dia.

CRÉDITOS DA PÁGINA: BFR

PUBLICADO NA EDIÇÃO Nº 1185 DE CARTACAPITAL, EM 25 DE NOVEMBRO DE 2021.

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