A importância da BR Distribuidora

Abdicar do controle da empresa significa para a Petrobras abrir mão de uma carteira com 36 mil clientes e 143 mil pontos de entrega

A importância da BR Distribuidora

Opinião

A operação de venda de ações da BR Distribuidora – em uma quantidade que coloque em risco o comando administrativo e o controle acionário da companhia pela Petrobras – poderá provocar significativos prejuízos para a estatal de petróleo e seus acionistas, o governo e a própria população brasileira. Esta é a conclusão de estudo que eu e a minha assessoria fizemos, e que encaminhamos ao presidente do Conselho de Administração da Petrobras, Eduardo Bacellar Leal Ferreira, e aos demais integrantes daquele colegiado. O alerta também foi feito ao Tribunal de Contas da União, Ministério de Minas e Energia e à Comissão de Valores Mobiliários.

Ao mesmo tempo em que enviei o documento – que intitulamos “A importância da BR Distribuidora para o sistema Petrobras e para o País” – cobrei dos conselheiros informações sobre as premissas que nortearam a Petrobras a cogitar a possibilidade de se desfazer do controle acionário da BR. Quero conhecer o estudo econômico, os critérios de avaliação econômico-financeiros, a avaliação de riscos e os procedimentos utilizados para a elaboração desse material.

Hoje, 28,75% das ações da BR Distribuidora pertencem a investidores privados. Até admito que a Petrobras reforce o seu caixa negociando mais ações da BR na bolsa de valores, mas, de forma alguma concordo que a empresa deixe de controlar a distribuidora. No primeiro trimestre de 2019, a empresa registrou uma alta de 93% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado positivo não é novidade. A empresa fechou o seu balanço em 2018, por exemplo, com um lucro de 3,2 bilhões de reais. Foi seu primeiro resultado anunciado após voltar a ter ações negociadas em bolsa. A alta foi de 177,4% em relação aos números de 2017. Isto significa que não é por dar prejuízo que a empresa está na lista de privatizações de Paulo Guedes e Bolsonaro.

A distribuição dos derivados de petróleo no Brasil é liderada por três empresas: Ipiranga, Shell e a BR Distribuidora. Analistas do setor alertam que, se o governo abdicar do controle da BR, uma das consequências poderá ser um prejuízo significativo para a Petrobras, pois a empresa precisa ter à sua disposição o mercado interno para negociar sua produção, e não ficar refém do mercado internacional.

A BR Distribuidora funciona como ponto de equilíbrio para a Petrobras. Ela é quem oferece a capilaridade necessária para escoar a produção da empresa. É a única presente em todos os estados brasileiros. Sob o controle da Petrobras, é a garantia do abastecimento de combustíveis em todo o território nacional. Além do mais, sem ela, quem asseguraria o abastecimento de nossas forças armadas nos momentos de crise?

Razões econômicas também recomendam manter a BR Distribuidora sob o comando do governo. A venda de 31,25% das ações da empresa poderia render 2,7 bilhões de dólares. Nesta hipótese, a Petrobras ficaria com 40% das ações. Além de perder o controle, a Petrobras deixaria de lucrar, em 10 anos, 9,6 bilhões de dólares. Por outro lado, se o governo negociasse 21,5% das ações, mantendo o controle da BR Distribuidora, arrecadaria 1,8 bilhão de dólares e manteria a expectativa de receber 9,6 bilhões de dólares. Ou seja: ao invés de um prejuízo de 6,9 bilhões, teria uma lucratividade de 11,4 bilhões.

Além do mais, abdicar do controle da BR Distribuidora seria atuar na direção oposta à dos concorrentes, que têm buscado adquirir pontos para distribuir sua produção, ao invés de se desfazer deles. A Petrobras abriria mão de uma carteira com 36 mil clientes e 143 mil pontos de entrega, com potencial incomensurável para a expansão e diversificação dos negócios. No atual momento em que o setor de combustíveis passar por uma revisão na matriz energética, a capilaridade da BR é imprescindível para a Petrobras testar e dar escala para tornar viável um modelo de negócio com novas matrizes.

Este texto não reflete necessariamente a opinião de CartaCapital.

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É senador pelo PT do Rio Grande do Norte.

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