José Guimarães

Advogado, deputado federal, PT/CE, e líder do governo na Câmara

Opinião

A França, berço da democracia, disse não à extrema-direita

Os franceses reviraram o fundo da história, resgataram os valores sublimes da democracia, conquistados na Revolução Francesa, e reapresentaram ao mundo: ‘liberdade, igualdade e fraternidade’

A França, berço da democracia, disse não à extrema-direita
A França, berço da democracia, disse não à extrema-direita
Manifestantes de esquerda comemoram a vitória nas eleições na França. Foto: Emmanuel Dunand/AFP
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O significado da vitória da Nova Frente Popular, nas eleições da França, vai além da objetividade do resultado numérico dos votos e das cadeiras conquistadas na Assembleia Nacional Francesa.

Os franceses reviraram o fundo da história, resgataram os valores sublimes da democracia, conquistados na Revolução Francesa, e reapresentaram ao mundo: “liberdade, igualdade e fraternidade”.

As imagens da eufórica comemoração na Praça da República, de jovens escalando o monumento à República, nos remete à tela do memorável pintor francês, Eugène Delacroix: “A liberdade conduzindo o povo”.

Na tela, Marie Dechamps, uma mulher do povo, que inspirou Delacroix, avança de seios nus, destemida, emancipada, autônoma, empunhando a bandeira da França nas barricadas em Paris, liderando o levante popular contra os opressores, na Revolução de Julho de 1830. O gorro vermelho, que cobre seus cabelos, representa os valores democráticos, a revolta popular contra a opressão, o obscurantismo e a abolição dos direitos dos cidadãos franceses, pelos absolutistas.

Desde os primeiros levantes, a luta contra a opressão, pelos direitos humanos, serpenteia a história da humanidade na construção da democracia plena, erguida sobre os valores da liberdade e da justiça: direito à igualdade política e social; direito à educação formal e à saúde; direito ao voto e à elegibilidade; direito às liberdades civis e autonomia; direitos trabalhistas; direito à segurança alimentar e à habitação, entre outros.

Recentemente, o autoritarismo ressurgiu de dedo em riste e ameaça à democracia. As forças democráticas que se uniram para derrotar a extrema-direita na França, assim como na Inglaterra, na Espanha e no Brasil, despertaram o mundo para uma grande mobilização dos trabalhadores, dos movimentos sociais e de ambientalistas, contra o recrudescimento do nazi-fascismo aliado ao neoliberalismo.

As eleições na França soam como um chamado para a união e o enfrentamento da escalada da extrema-direita, derrota-la, e progredir na consolidação da democracia, na afirmação dos valores libertários, avançar na pauta das conquistas dos direitos humanos, da solidariedade internacional, da autodeterminação dos povos, do desenvolvimento sustentável com justiça social e ambiental.

Acolher os movimentos sociais com políticas públicas capazes de dar sustentação à luta pela superação da desigualdade, com acesso ao trabalho digno à moradia, às sagradas refeições diárias, à educação de qualidade, à saúde, à cultura, a todos os serviços e bens públicos. Esse é o caminho.

Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

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