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A concorrência engorda

A Cimed se prepara para entrar no disputado e bilionário mercado das canetas emagrecedoras

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Ozempic, um dos medicamentos mais vendidos da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk — Foto: Adobe Stock
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mAs canetas emagrecedoras são o pote de ouro no fim do ­arco-íris da indústria farmacêutica global. Em um mercado assim, crescente, a busca é ter produtos e capacidade de distribuição. O consumidor está ávido. Isso explica a decisão da ­Cimed de estrear no segmento por meio de preços mais baixos e força de distribuição nacional para disputar espaço com multinacionais como Novo ­Nordisk e Eli Lilly e com a brasileira EMS.

A farmacêutica, fundada em 1977 em Pouso Alegre, Minas Gerais, é uma das maiores do País, apoiada em um portfólio de mais de 600 produtos e forte presença em pequenas farmácias. Entre as principais marcas estão a Carmed (proteção labial e higiene) e a Lavitan (vitaminas e suplementos), além de linhas de higiene e beleza e da recém-criada João e Maria para cuidados de bebês. Com esse porte e um plano de investir 2 bilhões de reais em P&D, fábricas e marketing até 2030, a companhia ganha musculatura para enfrentar tanto as gigantes globais quanto a EMS, que saiu na frente ao lançar a primeira caneta genérica de liraglutida no Brasil.

A Cimed mira a queda de patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, prevista para 2026, para lançar um produto injetável com posicionamento de preço mais acessível. A estratégia da empresa é estar presente em todas as grandes categorias que perderão exclusividade a partir deste ano.

O timing é estratégico: estimativas apontam que os agonistas de GLP-1 movimentaram cerca de 10 bilhões de reais em 2025 no Brasil e podem chegar a 20 bilhões de reais rapidamente, impulsionados pela combinação de obesidade em alta, ampliação de indicações terapêuticas e entrada de genéricos. Nesse ambiente de crescimento acelerado, a Cimed aposta na capilaridade entre pequenos varejistas e em sua identidade popular para transformar em alternativa nacional as marcas que hoje dominam o mercado.

JBS em Omã

A compra de controle de um frigorífico em Omã marca um novo estágio da estratégia de internacionalização da JBS e consolida o Oriente Médio como um dos principais eixos de crescimento da companhia. A empresa investirá 150 milhões de dólares para adquirir 80% de uma holding criada em parceria com o fundo soberano Oman Investment Authority, formando uma plataforma multiproteínas com capacidade para processar bovinos, cordeiros e aves.

Com plantas em Ibri e Thumrait, o projeto transforma Omã em hub produtivo direcionado a países do Golfo Pérsico e do Norte da África, aproximando a JBS dos mercados consumidores e reduzindo a dependência de exportações a partir do Brasil. A estrutura permite oferecer produtos frescos, adaptar o portfólio a preferências locais e disputar espaço diretamente com rivais globais num mercado halal estimado em mais de 2 bilhões de consumidores.

Pouso garantido

O HondaJet Elite II, versão mais recente do jato leve da Honda Aircraft, está à venda no Brasil por valores que partem de em torno de 7,2 milhões de dólares, a depender da configuração. A Líder Aviação é a representante exclusiva do modelo, responsável por vendas e suporte técnico. A companhia espera um sucesso de comercialização, pois esta é a primeira aeronave com capacidade de pouso autônoma.

O sistema Garmin Emergency Autoland é uma exclusividade do HondaJet Elite II. Em caso de mal súbito do piloto, sensores podem detectar a incapacitação ou qualquer ocupante pode acionar um botão dedicado. A partir daí, o sistema assume o controle, escolhe automaticamente um aeroporto adequado, comunica a emergência ao controle de tráfego, conduz a aproximação e realiza o pouso completo, com frenagem até a parada total na pista, sem intervenção humana.

 Efeito colateral

O que por anos foi um mar de prejuí­zos virou a maior oportunidade para a Corning, empresa norte-americana do setor de vidros, navegar em direção a grandes margens de rentabilidade. A divisão de fibra óptica foi resgatada pela explosão de demanda criada pela Inteligência Artificial generativa. Data centers voltados à IA precisam de até dez vezes mais conexão óptica do que estruturas tradicionais. A fibra óptica é mais rápida do que as conexões comuns com eletricidade. E isso vale milhões de dólares para bilhões de dados processados. A guinada traduz-se em números: em 2025, a receita da unidade de comunicações ópticas saltou mais de 30%, para perto de 6,2 bilhões de dólares, e empurrou o lucro líquido da Corning para a faixa de 2 bilhões de dólares. •

Publicado na edição n° 1400 de CartaCapital, em 18 de fevereiro de 2026.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘A concorrência engorda’

Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

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