Frente Ampla

A chacina do Jacarezinho e a política de insegurança pública do Rio de Janeiro

Exigimos que casos como esse nunca mais se repitam. Que o povo negro e de favela possa viver com dignidade, com seus direitos e suas vidas respeitadas

Manifestação contra o massacre em Jacarezinho. Foto: MAURO PIMENTEL / AFP
Manifestação contra o massacre em Jacarezinho. Foto: MAURO PIMENTEL / AFP
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Hoje, dia 6 de maio, um dos maiores massacres da história recente do estado Rio de Janeiro completa 1 ano: a operação policial na favela do Jacarezinho que deixou 28 mortos. Na época, Bolsonaro parabenizou essa ação trágica e Mourão chegou a afirmar, sem provas, que eram todos bandidos.

Esse não é um dia para ser esquecido. Muito pelo contrário, é uma data que precisa ser resgatada e relembrada para que possamos debater os graves problemas sociais que ela manifesta. O racismo estrutural e a violência do Estado contra a população negra e de favela, gritantes nesse episódio trágico, são extremamente graves e tem se apresentado cotidianamente nos inúmeros casos que vemos nos noticiários.

Não é segredo para ninguém que o estado do Rio vive um cenário de guerra civil e insegurança generalizada. Esse contexto se agrava quando observamos o dia a dia do povo negro que rotineiramente é vítima de inúmeros casos de violência e assassinatos causados por crimes de ódio.

Desde a operação no Jacarezinho, nos mobilizamos e ocupamos ruas e redes para denunciar os assassinatos de Moise Kabagambe, Yago dos Santos, Jonathan de Oliveira, Cauã Silva dos Santos, entre tantos outros, e mais recentemente Jonathan Ribeiro de Almeida, assassinado por um policial militar na favela do Jacarezinho. A mesma que fora palco da chacina há um ano atrás.

Até quando vamos ficar contando vítimas e gerando estatísticas sobre a violência contra as populações negras e faveladas? Até quando vamos sofrer as consequências dessa política de morte? Para vocês terem uma ideia, um estudo realizado pela Rede de Observatórios de Segurança em 2020 apontou que 86% dos mortos em operações policiais no Rio de Janeiro são negros! Isso é inadmissível, é um verdadeiro extermínio em curso resultado dessa política de (in)segurança pública! Quem se sente seguro no Rio de Janeiro?

A nossa polícia é uma das que mais mata no país! Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2021, estamos em quinto lugar no ranking de letalidade policial. Esse é o retrato de uma segurança pública falida! Eficácia não é matar mais, é resolver os casos com o menor número de fatalidades possível!

É nítido que precisamos construir um novo modelo de segurança pública que não lide com corpos pretos e de favela como se fossem alvos. Urge uma política de enfrentamento ao racismo que provoque o desmonte dessa máquina genocida que é o Estado. A juventude negra tem sido massacrada por esse aparato direta e indiretamente: quando não são atacados pelas mãos daqueles que deveriam proteger o povo, são por aqueles que são alimentados pelo mesmo pensamento.

Diante disso, é inaceitável a postura bélica de Bolsonaro, que defende o armamento da população e o aumento da circulação de armas. Essa “proposta” agravaria ainda mais o caos e a insegurança no nosso país, pondo em risco os grupos mais vulneráveis diante da crescente intolerância e do ódio que são insuflados por esse governo federal.

Nesse “desaniversário” de um ano da Chacina do Jacarezinho, nós seguimos cobrando respostas e que os culpados sejam responsabilizados. Mas mais do que isso, exigimos que casos como esse nunca mais se repitam. Que o povo negro e de favela possa viver com dignidade, com seus direitos e suas vidas respeitadas. Seguimos na luta!

Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

Verônica Lima

Verônica Lima
Vereadora de Niterói, no Rio de Janeiro, e foi a primeira mulher negra eleita para a Câmara da cidade

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