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A briga do delivery
A disputa judicial entre o iFood e a Keeta escancara a competitividade dos aplicativos de entregas
A disputa entre iFood e Keeta escancara a guerra pelo bilionário mercado brasileiro de delivery e agora ganhou contornos de caso de espionagem corporativa. Em maio de 2026, o iFood ingressou na Vara Empresarial de São Paulo com uma ação por concorrência desleal contra a Keeta Delivery Brazil e sua controladora chinesa Meituan, pedindo ao menos 1 milhão de reais por danos morais, além de indenizações adicionais. A empresa afirma que dezenas de consultorias, brasileiras e estrangeiras, teriam abordado mais de uma centena de funcionários e ex-funcionários, oferecendo “reuniões remuneradas”. O objetivo seria obter informações confidenciais sobre logística, finanças, market share, contratos com restaurantes e planos de expansão, ligando essas abordagens a contas de e-mail associadas à Meituan. O iFood diz ter identificado um ex-executivo que participou de videoconferência ainda empregado, o que levou à busca e apreensão de dispositivos e à produção de provas que embasam a ação. A Keeta nega as acusações, afirma defender um mercado aberto e justo, diz não contratar terceiros para captar informações sigilosas e alega não ter sido formalmente notificada. O iFood nasceu em 2011, no Brasil, como uma startup de pedidos online, e hoje é controlado pelo grupo holandês Prosus. A Keeta começou a operar no País em 2025, inicialmente na Baixada Santista, como braço internacional da Meituan, maior empresa de delivery do mundo em número de pedidos, com centenas de milhões de usuários na China.
O Labubu está aqui
O desembarque oficial dos bonecos Labubu no Brasil, criados pelo artista Kasing Lung e transformados em fenômeno mundial pela Pop Mart, deve provocar uma disputa que vai além do brinquedo tradicional infantil. O acordo de distribuição no País foi feito com a Candide. Os bonecos transitam no segmento de itens de colecionador, vendidos em edições limitadas e com alta rotatividade de lançamentos. Para o mercado brasileiro, isso significa ampliar o tíquete médio em determinadas categorias e atrair consumidores acostumados a gastar mais com produtos vinculados a fandoms, games e cultura asiática. Ao mesmo tempo, a presença oficial tende a organizar um nicho até agora abastecido por importações paralelas e pirataria. A Candide, com mais de cinco décadas de atuação e forte capilaridade em grandes redes e lojas especializadas, é peça-chave para a transição. Especializada em trazer marcas internacionais e operar licenciamentos, a empresa vai adaptar o Labubu à dinâmica local: negociação com varejistas, definição de faixas de preço, estratégias de exposição em pontos de venda e campanhas que dialogam tanto com crianças quanto com colecionadores.
Semaglutida brazuca
A aprovação do Ozivy pela Anvisa reforça a ofensiva da EMS na categoria das canetas injetáveis para diabetes e obesidade. Essa é a primeira caneta de semaglutida sintética produzida no País. Ozivy soma-se a um portfólio que incluía as canetas de liraglutida Olire, voltada ao tratamento da obesidade, e Lirux, indicada para controle do diabetes tipo 2. Lançadas em 2025, Olire e Lirux foram os primeiros análogos de GLP-1 desenvolvidos e fabricados integralmente no Brasil. A combinação de escala produtiva, experiência em genéricos e capilaridade de distribuição dá à EMS condições de colocar o Ozivy, ainda não disponível para venda, Olire e Lirux nas prateleiras de todas as regiões, ampliando a competição ante produtos como Ozempic, Saxenda e Victoza. Embora o preço do Ozivy ainda dependa da definição da CMED, a presença de três canetas nacionais de análogos de GLP-1 tende a aumentar a oferta e, no médio prazo, pode favorecer condições mais acessíveis para pacientes com diabetes tipo 2 e obesidade no Brasil.
Ferrari na tomada
A Ferrari apresentou o Luce, seu primeiro carro totalmente elétrico, O modelo será vendido apenas sob encomenda. As primeiras entregas estão previstas para o último trimestre de 2026, inicialmente para clientes europeus e de mercados-chave de alto poder aquisitivo. O Luce adota uma arquitetura inédita com quatro motores elétricos, um em cada roda, que somam potência superior a mil cavalos, aceleração de 0 a 100 em cerca de 2,5 segundos e velocidade máxima acima de 300 quilômetros por hora. A bateria de, aproximadamente, 122 quilowatts-hora garante autonomia estimada em mais de 530 quilômetros e suporte a recarga ultrarrápida de até 350 quilowatts, recuperando cerca de 300 quilômetros em 20 minutos. O preço inicial foi fixado em torno de 550 mil euros, ou 3,2 milhões de reais. •
Publicado na edição n° 1415 de CartaCapital, em 03 de junho de 2026.
Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘A briga do delivery’
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