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Vila italiana proíbe turistas de andarem sem camisa nas ruas

Varenna impõe multas de até 200 euros para quem andar sem camisa ou só em trajes de banho. Medida faz parte de pacote para conter efeitos de turismo excessivo na vila com apenas 650 habitantes permanentes

Vila italiana proíbe turistas de andarem sem camisa nas ruas
Vila italiana proíbe turistas de andarem sem camisa nas ruas
Foto: Aconcagua/Creative Commons
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Conhecida por suas ruas estreitas, casas coloridas e pela vista privilegiada do Lago de Como, a cidade italiana de Varenna endureceu as regras para turistas. A prefeitura passou a aplicar multas de entre 50 e 200 euros (entre cerca de 300 e 1.200 reais) para quem circular pelo centro histórico sem camisa ou apenas com roupas de banho, como biquínis ou calções de banho, numa tentativa de combater comportamentos considerados inadequados e reduzir os impactos do turismo de massa.

A medida foi aprovada no fim de junho e entrou em vigor imediatamente. Segundo as autoridades locais, trajes de banho e torsos nus passam a ser permitidos apenas em praias, píeres e embarcações no Lago de Como.

Com cerca de 650 habitantes permanentes, Varenna recebe centenas de milhares de visitantes por ano. Durante a alta temporada, o número de turistas chega a superar em muitas vezes a população local, pressionando a infraestrutura urbana e alterando a rotina dos moradores.

“O turismo é fundamental para nossa economia, mas a qualidade de vida dos residentes não pode ser sacrificada em nome do turismo de massa”, afirmou o prefeito Mauro Manzoni, ao defender as novas regras, de acordo com o jornal britânico The Guardian.

Dress code reflete preocupação maior

Embora a proibição de caminhar sem camisa tenha atraído a atenção da imprensa internacional, a iniciativa faz parte de um pacote mais amplo de medidas voltadas ao controle do fluxo turístico. Além das multas relacionadas à vestimenta, a prefeitura limitou grupos guiados a no máximo 25 pessoas e proibiu o uso de alto-falantes por guias turísticos.

As autoridades também determinaram que grupos não podem bloquear as estreitas vielas de pedra que caracterizam o centro histórico da cidade. Em alguns casos, os guias poderão receber multas entre 100 e 400 euros por descumprimento das regras.

Moradores e comerciantes ouvidos pela imprensa italiana demonstraram apoio às medidas. Um comerciante afirmou que turistas são livres para usar roupas de banho na praia, mas que igrejas, lojas, restaurantes e praças exigem vestimentas adequadas. Outro declarou que a regulamentação era necessária e que agora o desafio será garantir sua aplicação efetiva.

O caso de Varenna reflete uma tendência observada em diversas cidades italianas que enfrentam o chamado turismo excessivo, quando o volume de visitantes passa a comprometer a qualidade de vida da população local e a conservação de destinos turísticos.

Nos últimos anos, diferentes municípios adotaram regras semelhantes. Em Sorrento, no sul da Itália, autoridades introduziram em 2022 multas de até 500 euros para pessoas de circularem pela cidade de roupa de banho ou sem camisa. Em Portofino, na região da Ligúria, áreas especiais foram criadas para impedir aglomerações de visitantes que param por longos períodos para fotografias e selfies.

Em busca do equilíbrio

O desafio se tornou especialmente visível em destinos de grande apelo internacional, como Veneza, o Lago de Como e a Costa Amalfitana. Governos locais tentam encontrar um equilíbrio entre a importância econômica do turismo e a preservação da identidade cultural e do cotidiano dos residentes.

A discussão não se limita à Itália. Diversos destinos na Europa e também em outros continentes vêm implementando restrições para lidar com o aumento do número de visitantes após a retomada global do turismo. Entre as medidas estão limites de acesso, taxas de entrada, controle de grupos organizados e campanhas de conscientização sobre comportamento em áreas históricas.

Em Varenna, porém, a nova regra tem um objetivo simples: lembrar aos visitantes que a cidade não é apenas um cenário para férias de verão, mas também um lugar onde pessoas vivem durante todo o ano. Para a administração municipal, preservar o decoro urbano e o respeito aos moradores é parte essencial da experiência turística que transformou a pequena vila do Lago de Como em um dos destinos mais procurados da Itália.

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