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Venezuela começa semana de “flexibilização”, mas mantém quarentena na fronteira com Brasil

País registra até o momento 39 mil infecções e 329 mortes pela Covid-19

Presidente venezuelano Nicolás Maduro. Foto: AFP.
Presidente venezuelano Nicolás Maduro. Foto: AFP.

O governo venezuelano decretou, neste domingo 23, uma semana de flexibilização em Caracas e na maior parte do país da quarentena imposta para conter a Covid-19 em vigor desde meados de março, com exceção dos municípios fronteiriços com Brasil e Colômbia.

“Os municípios fronteiriços dos estados de Táchira, Zulia, Apure e Bolívar permanecerão em quarentena radical”, disse a vice-presidente Delcy Rodríguez.

A medida visa “proteger o país daqueles que estão retornando à Venezuela de países em situação avassaladora”, reforçou Delcy.

Para ela, a ação tem o objetivo de criar um “cordão epidemiológico e sanitário” em vista da “curva exponencial” registrada no Brasil e na Colômbia, país que recebeu 1,8 milhão de venezuelanos dos mais de 5 que deixaram a Venezuela desde 2015 para o crise econômica.

Repatriados

De acordo com o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, cujo governo montou abrigos na fronteira para servir de quarentena, cerca de 90.000 migrantes voltaram “legalmente”, enquanto outros 40 mil entraram por estradas ilegais (trilhas), após ficarem desempregados pela pandemia.

Destes, cerca de 4 mil “adoeceram e adoeceram suas famílias”, declarou Maduro durante uma entrevista com o jornalista Ernesto Villegas, seu ministro da Cultura.

A oposição e as organizações de direitos humanos denunciaram que existe uma “criminalização” dos repatriados.

A partir desta segunda-feira 24, Caracas e os estados vizinhos de Miranda e La Guaira entram em uma semana de “flexibilização parcial” que permitirá o funcionamento de negócios como lojas de ferragens, agências bancárias e cabeleireiros, além de consultórios médicos.

O governo registra até o momento 39.564 infecções e 329 mortes no país com 30 milhões de habitantes.

Os números são questionados pela oposição e por organizações como a Human Rights Watch, considerando que há um elevado sub-registro.

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