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Ucrânia aceita proposta dos EUA para cessar-fogo de 30 dias com a Rússia
O presidente americano, Donald Trump, havia encerrado a ajuda à Ucrânia após um desastroso encontro com Volodimir Zelensky
A Ucrânia afirmou que apoia uma proposta dos Estados Unidos para um cessar-fogo de 30 dias com a Rússia, e Washington aceitou retirar as restrições à ajuda militar e ao compartilhamento de dados de inteligência, informaram em um comunicado nesta terça-feira 11 as partes, após uma reunião na Arábia Saudita.
Após os diálogos, realizados em Jidá, às margens do mar Vermelho, ambas as partes também concordaram em selar “o mais rápido possível” um acordo para que os Estados Unidos possam explorar recursos minerais ucranianos, segundo o comunicado.
“A Ucrânia declarou estar disposta a aceitar a proposta americana de instaurar um cessar-fogo imediato e provisório de 30 dias, que pode ser prorrogado por mútuo acordo e que está sujeito à aceitação e implementação simultânea pela Federação Russa”, afirma o texto.
“Os Estados Unidos explicarão à Rússia que a reciprocidade russa é a chave para a paz”, acrescenta o comunicado.
Além disso, “os Estados Unidos retirarão imediatamente a suspensão sobre o compartilhamento de relatórios de inteligência e retomarão a ajuda para a segurança da Ucrânia”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia encerrado a ajuda à Ucrânia após um desastroso encontro com o par ucraniano, Volodimir Zelensky, no final de fevereiro na Casa Branca.
– Acordo sobre minerais –
Washington e Kiev também acordaram fechar “o quanto antes” um pacto para que os Estados Unidos acessem recursos minerais da Ucrânia, segundo a declaração final, publicada após oito horas de conversas.
Depois de mais de três anos de conflito, a Ucrânia colocou sobre a mesa uma proposta de cessar-fogo parcial com a Rússia, com a esperança de que os Estados Unidos restabelecessem sua assistência militar e voltassem a trocar suas informações de inteligência.
Washington interrompeu essa ajuda desde a visita de Zelensky à Casa Branca em 28 de fevereiro, na qual houve um bate-boca com Donald Trump e seu vice-presidente, JD Vance, diante da imprensa e ao vivo. Zelensky deixou os Estados Unidos sem assinar o acordo sobre os minerais.
“A Ucrânia declarou-se disposta a aceitar a proposta americana de instaurar um cessar-fogo imediato provisório de 30 dias, que pode ser prolongado por mútuo acordo e que está submetido à aceitação e à implementação simultânea pela Federação da Rússia”, indica a declaração conjunta divulgada nesta terça.
Além disso, “os Estados Unidos vão retirar imediatamente a suspensão sobre a troca de relatórios de inteligência e vão retomar a ajuda à segurança da Ucrânia”.
‘A decisão depende da Rússia’
Desde o seu retorno à Casa Branca, Trump tem pressionado a Ucrânia para que ponha fim à guerra que começou com a invasão russa do país, em fevereiro de 2022.
Na União Europeia (UE), a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, estiveram entre os primeiros a dar boas-vindas ao acordo e afirmaram que “a bola agora está com a Rússia”, um pensamento compartilhado pelo presidente francês, Emmanuel Macron.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, indicou que a Itália “apoia totalmente os esforços” dos Estados Unidos para “conseguir uma paz justa” e também insistiu que “agora a decisão depende da Rússia”.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, também falou de “um avanço notável” nas negociações.
Ataque com drones
O encontro em Jidá aconteceu poucas horas depois do maior ataque com drones ucranianos contra a Rússia desde o início da guerra que, segundo Kiev, deveria “incitar” o presidente russo Vladimir Putin a aceitar uma trégua aérea.
Contudo, as autoridades russas garantiram que o ataque, com um balanço provisório de três mortos e 18 feridos, foi um fracasso e anunciaram a destruição de 343 drones, incluídos 91 no oblast (província) de Moscou e 126 no oblast de Kursk, que faz fronteira com a Ucrânia e está ocupado parcialmente por forças ucranianas.
Na Ucrânia, pelo menos seis pessoas morreram em bombardeios russos no oblast de Donetsk, no leste do país, anunciou o seu governador.
As conversas em Jidá acontecem em um momento difícil para a Ucrânia no front de batalha. Nesta terça, a Rússia anunciou que recuperou das mãos do Exército ucraniano 12 localidades e “mais de 100 km²” de sua província fronteiriça de Kursk.
A Ucrânia lançou uma ofensiva surpresa contra essa província russa fronteiriça em agosto de 2024 e conseguiu ocupar centenas de km², um território que poderia servir de moeda de troca com Moscou em negociações futuras.
Mas, desde então, os russos já recuperaram mais de dois terços do território conquistado inicialmente com o apoio, segundo Ucrânia e Coreia do Sul, de milhares de soldados norte-coreanos.
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