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Trump se mostra mais ambíguo sobre apoio à ofensiva de Israel em Gaza

Sob sua presidência (2017-2021), os Estados Unidos viraram as costas à solução dos dois Estados ao reconhecer unilateralmente Jerusalém como capital de Israel

Fotos: MIKE SEGAR / POOL / AFP
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Donald Trump defendeu Israel firmemente quando eclodiu a guerra com o Hamas, mas após seis meses do conflito e 33 mil mortes em Gaza, o republicano não parece ter tanta certeza de que este apoio deva ser incondicional.

O ex-presidente não costuma fazer rodeios quando se trata de crises internacionais, mas sobre este tema limitou-se a duas insinuações em entrevistas recentes.

“Não sei se gosto da forma como o fazem”, declarou na quinta-feira a um locutor de rádio o candidato à Casa Branca.

Referindo-se a “vídeos de edifícios desmoronando-se”, o ex-magnata disse que Israel estava “perdendo a guerra da comunicação completamente”.

Algumas semanas antes, o septuagenário, que se distanciou um pouco do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, desde que o democrata Joe Biden assumiu a presidência dos Estados Unidos, já havia criticado “imagens espantosas” de “bombas lançadas sobre edifícios em Gaza” em declarações à imprensa israelense.

Aliado histórico

Nessas entrevistas, Trump não mencionou a crise humanitária em Gaza, o número de mortos civis palestinos ou os sete voluntários mortos na segunda-feira em um ataque israelense com drones.

Mas são as suas palavras mais duras sobre Israel, e suscitaram muitos comentários tanto por parte do seu aliado histórico como em Washington.

Há muito tempo, Trump se gaba de ter feito mais por Israel do que qualquer outro presidente americano.

Sob sua presidência (2017-2021), os Estados Unidos viraram as costas à solução dos dois Estados ao reconhecer unilateralmente Jerusalém como capital de Israel.

A embaixada americana mudou-se para a cidade sagrada. Também denunciou o acordo nuclear do Irã com as grandes potências, tão difícil de alcançar.

Nos últimos meses de seu mandato, o bilionário republicano apresentou um plano de paz parcial — denominado Acordos de Abraham — para normalizar as relações diplomáticas e comerciais entre países árabes e Israel, deixando de lado a questão específica sobre a reivindicação de um Estado palestino e o status de Jerusalém.

Por fim, o governo de Trump deu prioridade ao reconhecimento de Israel por parte de outros países árabes, marginalizando ainda mais a questão palestina.

“Não é muito presidencial”

Os comentários do magnata sobre a guerra em Gaza marcam algum tipo de mudança de rumo?

Danielle Pletka, do centro de reflexão conservador AEI, opta pela prudência.

“Ninguém está completamente seguro de qual é a opinião de Trump a respeito”, declarou à AFP, estimando que o republicano fala mais “como um assessor de comunicação” do que como um candidato à Casa Branca.

“Não é muito presidencial, não é política, é mais uma opinião de especialista”, enfatizou.

Para alguns observadores políticos, a imprecisão de Trump explica-se mais pelo que está em jogo no campo eleitoral neste conflito, a sete meses das eleições presidenciais que disputará contra Biden.

O septuagenário utiliza frequentemente termos ambíguos para abordar questões sensíveis para os eleitores americanos.

É deliberadamente vago, por exemplo, sobre o aborto, consciente de que qualquer posição considerada muito extrema poderia lhe custar caro nas urnas frente a Biden.

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