Mundo
Trump escolhe Howard Lutnick, crítico da China, como secretário de Comércio
Lutnick, de 63 anos, foi um democrata por muito tempo, antes de se tornar um dos principais doadores das campanhas de Trump
O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, escolheu nesta terça-feira 19 como futuro secretário de Comércio Howard Lutnick, presidente do banco de investimento Cantor Fitzgerald e crítico ferrenho da China.
Lutnick era apontado como um dos favoritos para o cargo de secretário do Tesouro, mas ficará com a pasta responsável por uma eventual imposição de tarifas às importações, um dos pontos principais da agenda econômica do magnata republicano.
Ele terá “responsabilidade direta adicional sobre o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos”, informou Trump em comunicado. Lutnick “vai liderar nossas políticas comerciais e aduaneiras”, acrescentou.
Durante a campanha eleitoral, o republicano ameaçou aplicar tarifas de dois dígitos, inclusive mais, sobretudo a produtos chineses, para favorecer a volta de empresas para os Estados Unidos. Trump também se mostrou especialmente preocupado com o México.
“Eu diria que o México é um tremendo desafio para nós”, porque a “China está construindo enormes fábricas de automóveis” naquele país e “vão vendê-los nos Estados Unidos”, queixou-se, antes das eleições.
Lutnick, de 63 anos, foi um democrata por muito tempo, antes de se tornar um dos principais doadores das campanhas de Trump. Ele é favorável à imposição de tarifas de 10% a 20% sobre todos os produtos que entram nos Estados Unidos, e de 60% a 100% sobre os que vêm da China.
Em outubro, lamentou a perda de empregos na indústria nos Estados Unidos e classificou os carros elétricos de “absurdo das elites”, em uma entrevista.
Lutnick acusa a China de ser a origem da propagação de fentanil nos Estados Unidos, pela venda de substâncias com as quais se fabrica esse opiáceo sintético, responsável por dezenas de milhares de mortes por overdose a cada ano.
O Departamento de Comércio trabalha para impulsionar a indústria americana e tem papel fundamental na política para fortalecer o setor de semicondutores e reduzir sua dependência da Ásia.
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