Mundo
Trump ameaça presidente interina da Venezuela: pagará ‘preço muito alto’ se ‘não fizer a coisa certa’
Delcy Rodríguez era vice de Maduro e assumiu o governo após a prisão dele
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu, neste domingo 4, que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, pagará “um preço muito alto” se não cooperar com os Estados Unidos, depois que forças americanas capturaram e prenderam o presidente Nicolás Maduro.
“Se ela não fizer a coisa certa, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que o de Maduro”, disse Trump à revista The Atlantic em uma breve entrevista por telefone.
As forças americanas atacaram Caracas nas primeiras horas de sábado, bombardeando alvos militares. Capturaram Maduro e sua esposa, Cilia Flores, e os tiraram do país para responderem por acusações em Nova York.
O governo de Trump diz que está disposto a trabalhar com o atual governo venezuelano, desde que os objetivos de Washington sejam atendidos, incluindo a abertura do acesso do investimento americano às enormes reservas de petróleo bruto da Venezuela.
O aviso de Trump veio após a confirmação de Rodríguez como presidente interina pela Suprema Corte e pelos comandantes militares da Venezuela.
No sábado, após a incursão dos Estados Unidos na capital, Caracas, Rodríguez adotou um tom desafiador e afirmou que Maduro era o único líder legítimo do país.
“Estamos prontos para defender nossos recursos naturais”, assegurou.
Trump fez campanha, durante muito tempo, contra uma mudança de regime por parte dos Estados Unidos em países estrangeiros.
No entanto, no sábado, ele disse que os Estados Unidos vão “liderar” a Venezuela. Disse à The Atlantic que “reconstruir e mudar o regime – como queira chamar – é melhor do que o que eles têm agora”.
“Reconstruir não é algo ruim, no caso da Venezuela”, disse.
“O país foi para o inferno. É um país falido. É um país totalmente falido. É um país que é um desastre em todos os sentidos”.
O republicano de 79 anos também reiterou sua frequente exigência de que a Groenlândia – um território autônomo pertencente à Dinamarca, aliado da Otan – passe a fazer parte dos Estados Unidos.
Quando lhe perguntaram o que a ação militar americana na Venezuela representava para a Groenlândia, Trump disse à The Atlantic: “Eles mesmos terão que ver. Realmente não sei”.
“Mas precisamos da Groenlândia, absolutamente. Precisamos dela para a defesa”.
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