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Trump ameaça mobilizar militares em resposta aos protestos em Minnesota
Há uma semana, agentes do ICE mataram uma mulher em Minneapolis. Na quarta 14, outro profissional de imigração feriu um homem na cidade
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou, nesta quinta-feira 15, enviar militares para Minneapolis, onde os protestos contra os agentes de imigração se intensificaram após um agente do ICE ter atirado e ferido um homem no dia anterior.
A cidade, localizada no estado de Minnesota, no norte do país, tem sido palco de protestos contra o serviço de imigração desde a semana passada, após a morte de uma americana de 37 anos pelas mãos de um de seus agentes.
A indignação pública aumentou depois que um agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) atirou em um venezuelano na quarta-feira 14.
“Se os políticos corruptos de Minnesota não cumprirem a lei e não impedirem os ataques de agitadores profissionais e insurgentes contra os patriotas do ICE, que estão apenas tentando fazer seu trabalho, invocarei a Lei da Insurreição”, que lhe concede o poder de enviar as Forças Armadas para território nacional, declarou Trump na rede social Truth Social.
As autoridades municipais pediram para “manter a calma” diante do novo ataque do ICE.
O chefe de polícia local, Brian O’Hara, afirmou que o ataque armado ocorreu após um confronto diante de uma residência entre um homem e um agente do ICE na zona norte da cidade, na noite de quarta-feira.
“Durante a luta corporal, o agente federal disparou sua arma e feriu um homem adulto”, explicou em entrevista coletiva.
O cidadão venezuelano sofreu um ferimento na perna sem risco de vida e foi levado a um hospital para tratamento, informaram as autoridades locais.
O episódio ocorre depois de Renee Nicole Good, uma americana de 37 anos, ter morrido dentro de seu carro em 7 de janeiro após disparos de um agente do ICE durante uma operação contra imigrantes também em Minneapolis.
Desde que voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump impulsionou uma ampla onda de deportações de imigrantes irregulares, uma de suas principais promessas de campanha.
“Entendemos que há indignação (…). A cidade de Minneapolis volta a exigir que o ICE deixe a cidade e o estado (Minnesota) imediatamente”, escreveram as autoridades na rede social X.
O’Hara acrescentou que o ataque armado de quarta-feira provocou a formação de uma multidão de manifestantes ao redor do local e que alguns lançaram fogos de artifício contra os agentes.
“Não é sustentável”
Funcionários do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) confirmaram os disparos no X e informaram que “um imigrante ilegal da Venezuela” foi detido em uma blitz de trânsito e resistiu à prisão.
“Enquanto o indivíduo e o agente policial lutavam no chão, duas pessoas saíram de um apartamento próximo e também atacaram o agente com uma pá de neve e um cabo de vassoura”, informou o DHS.
O agente “efetuou um disparo defensivo para proteger sua vida” e feriu na perna o primeiro indivíduo.
Autoridades de Minneapolis e do estado de Minnesota criticam as ações dos agentes do DHS, incluindo os do ICE.
“Isso não é sustentável”, declarou o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, a jornalistas, acrescentando: “Temos agentes do ICE por toda a cidade e por todo o estado que, junto com a Patrulha de Fronteira, estão criando o caos”.
“Este não é o caminho que deveríamos seguir agora nos Estados Unidos”, insistiu.
Em um vídeo publicado na quarta-feira nas redes sociais, o governador de Minnesota, Tim Walz, denunciou “o caos, a interferência e o trauma que o governo federal está despejando sobre nossa comunidade”, descrevendo interrogatórios de porta em porta realizados por agentes do ICE “armados, mascarados e com pouca capacitação”.
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