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Trump adverte Taiwan contra eventual proclamação de independência após se reunir com Xi

‘Não queremos que alguém pense: vamos proclamar a independência porque os EUA nos apoiam’, afirmou o republicano

Trump adverte Taiwan contra eventual proclamação de independência após se reunir com Xi
Trump adverte Taiwan contra eventual proclamação de independência após se reunir com Xi
Os presidentes dos Estados Unidos e da China, Donald Trump e Xi Jinping, em Pequim – foto: Brendan Smialowski/pool/AFP
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu Taiwan, nesta sexta-feira 15, contra uma eventual proclamação de independência, depois que o presidente da China, Xi Jinping, o pressionou para que Washington não apoie a ilha.

Trump concluiu sua visita de Estado declarando ter firmado acordos comerciais “fantásticos”, embora não tenha fornecido detalhes e não pareça ter conseguido nenhum avanço com a China em relação à guerra com o Irã.

O republicano convidou Xi para visitar Washington em setembro, o que indica que é provável que ambas as partes busquem estabilizar as relações, frequentemente turbulentas, entre as duas maiores economias do mundo.

Em uma questão crucial para o presidente chinês, o mandatário americano deixou claro que se opõe a uma declaração de independência de Taiwan.

“Não tenho vontade de que alguém declare a independência, sabem, supondo que temos de percorrer 15.000 quilômetros para ir para a guerra”, disse Trump, segundo um trecho de uma entrevista à Fox News.

“Não queremos que alguém pense: vamos proclamar a independência porque os Estados Unidos nos apoiam”, insistiu, acrescentando que ainda não havia decidido nada sobre uma eventual venda de armas à ilha, que tem Washington como sua principal fonte de apoio militar.

“Quero que [Taiwan] eles se acalmem. Quero que a China se acalme”, declarou.

Os Estados Unidos reconhecem apenas a China e não apoiam a independência oficial de Taiwan, mas, historicamente, também não chegaram a declarar explicitamente se fazem oposição a ela.

Segundo a legislação dos Estados Unidos, Washington é obrigado a fornecer armas a Taiwan para sua defesa, mas não está claro se as forças americanas ajudariam a ilha em caso de ataque.

“Conflito”

Na quinta-feira, com uma firmeza incomum, Xi advertiu que “a questão de Taiwan é a mais importante nas relações” entre Washington e Pequim.

“Se forem bem administradas, as relações entre os dois países poderão continuar globalmente estáveis. Se forem mal administradas, os dois países colidirão, ou até mesmo entrarão em conflito”, afirmou o mandatário chinês, segundo a imprensa estatal.

Pequim reivindica Taiwan, uma ilha de regime democrático, como parte de seu território desde o fim da guerra civil chinesa, em 1949. O governo chinês defende uma solução pacífica, mas se reserva o direito de recorrer à força.

Estas conversas sobre Taiwan talvez sejam o aspecto mais destacado da cúpula em Pequim.

Centrado em uma entrevista com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, na qual afirmou que a política de Washington para Taipé não havia mudado, o Ministério de Assuntos Exteriores de Taiwan agradeceu aos Estados Unidos em um comunicado por demonstrar “que apoia e valoriza a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan”.

“Donald Trump teve as imagens que queria, e os chineses ficaram satisfeitos em fornecê-las. Na minha opinião, tratava-se mais de reforçar a dinâmica entre os dois países do que de obter resultados específicos”, observou Jacob Stokes, especialista do Center for a New American Security.

A visita anunciada de Xi Jinping a Washington no próximo outono [no hemisfério norte, primavera no Brasil] representará um novo teste para o frágil status quo entre as duas potências.

Bonnie Glaser, do German Marshall Fund, observou que, até lá, a China “pressionará fortemente” para que Trump se abstenha de tomar qualquer decisão sobre a venda de armas a Taiwan.

Acordos “fantásticos”

Pequim e Washington concordaram em continuar implementando “todos” os seus acordos comerciais existentes e em estabelecer conselhos sobre comércio e investimentos, declarou o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, nesta sexta-feira, em um comunicado divulgado após o encontro entre Trump e Xi.

O presidente americano citou “acordos comerciais fantásticos” e afirmou que a China se comprometeu a comprar “200 grandes” aviões da Boeing, e que o tratado incluía “uma promessa de 750 aviões, o que será, com folga, o maior pedido da história, se fizerem um bom trabalho com os 200”.

Trump também disse que seu par chinês assegurou que Pequim não pretende ajudar militarmente Teerã, que praticamente mantém bloqueado o Estreito de Ormuz, uma via crucial para o tráfego mundial de hidrocarbonetos.

“Ele gostaria de ver o Estreito de Ormuz aberto e disse: ‘Se eu puder ser de qualquer ajuda, de qualquer forma, gostaria de ajudar'”, acrescentou durante a entrevista à Fox News.

No entanto, nenhuma das declarações oficiais da China mencionavam estes elementos.

Por sua vez, Xi afirmou que foi uma “visita histórica” e que, hoje, as partes estabeleceram “uma nova relação bilateral, que é uma relação de estabilidade estratégica construtiva”.

Trump minimizou alguns pontos de tensão entre as duas superpotências, como as questões de espionagem, propriedade intelectual ou os ciberataques atribuídos à China.

A bordo do Air Force One, o republicano afirmou: “O que vocês fazem, vocês sabem, nós também fazemos. Nós também espionamos vocês como loucos. Eu disse [a Xi]: ‘Fazemos um monte de coisas com vocês das quais vocês não têm a menor ideia'”.

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