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Tensão na Ucrânia: EUA entregam proposta à Rússia sem concessão sobre conflito com a Otan

O secretário de Estado norte-americano, Anthony Blinken, disse que Joe Biden participou da elaboração do documento

Antony Blinken, secretário de Estado dos Estados Unidos. Foto: Reprodução
Antony Blinken, secretário de Estado dos Estados Unidos. Foto: Reprodução
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O embaixador americano na Rússia, John Sullivan, entregou à Rússia nesta quarta-feira 26 um documento com as respostas às propostas de garantias de segurança apresentadas pelo governo de Vladimir Putin em dezembro sobre a operação da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a Otan.

A tensão entre a Rússia e a Otan tem aumentado nas últimas semanas devido à possível adesão da Ucrânia ao bloco liderado pelos Estados Unidos. Moscou acusa Washington de seguir indevidamente com a expansão militar do bloco, aproximando-se das fronteiras russas, enquanto Kiev se diz possível alvo de invasão militar pelo Kremlin.

Como protesto, a Rússia publicou em dezembro um documento com oito artigos em que pede que a Otan se comprometa a não se expandir mais ao leste europeu.

Em resposta, os Estados Unidos entregaram um documento que já era esperado pela Rússia desde o fim do ano passado. Outra carta foi entregue pela secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, prometida dias atrás.

Porém, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, informou em coletiva de imprensa que o documento entregue pelos Estados Unidos não será divulgado.

O funcionário do governo de Joe Biden deu entrevista pouco depois da entrega do texto. Segundo ele, os EUA não concordam em excluir a Ucrânia como candidata a integrante da Otan.

“O documento que entregamos inclui as preocupações dos Estados Unidos e nossos aliados e sócios sobre as ações da Rússia que prejudicam a segurança, uma avaliação inicial e pragmática das preocupações que a Rússia tem levantado e as nossas próprias propostas para as áreas em que podemos ser capazes de encontrar um terreno comum”, disse.

O secretário de Estado disse que a Casa Branca seguirá em defesa da soberania e da integridade territorial da Ucrânia. De acordo com ele, o próprio Biden participou da elaboração do documento.

O gesto diplomático se dá em meio a duras ameaças dos Estados Unidos e do Reino Unido de endurecimento de sanções contra a Rússia, devido ao conflito com a Ucrânia. Durante esta semana, Biden e Boris Johnson sinalizaram a possibilidade de punir o governo Putin com restrições comerciais.

Em entrevista a CartaCapital, os pesquisadores Diego Pautasso e Danielle Makio explicaram que a Ucrânia tem posição geoestratégica para ambos os blocos.

“Pela localização geográfica, a Ucrânia está bem entre a Rússia e o Ocidente. Nessa lógica de expansão da Otan, a Ucrânia se torna fundamental, porque é um dos espaços mais centrais nessa contenção pela Rússia do poder militar da Otan em sua zona de interesse”, disse Makio, pesquisadora em Relações Internacionais.

“A questão crucial é se vai ou não manter a Ucrânia como país neutro ou se ela se tornará um membro da Otan. Esse é o X da questão”, considera Pautasso, cientista político.

Confira a seguir a entrevista na íntegra, realizada nesta quarta-feira 26:

Victor Ohana

Victor Ohana
Repórter do site de CartaCapital

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