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Teerã responde a Trump: Estreito de Ormuz é iraniano

O conflito entre as duas potências está concentrado há semanas no Estreito de Ormuz, uma rota fundamental para o transporte de hidrocarbonetos do Golfo para o resto do mundo

Teerã responde a Trump: Estreito de Ormuz é iraniano
Teerã responde a Trump: Estreito de Ormuz é iraniano
Independência. No segundo trimestre, a retirada de barris por dia cresceu 14%. Dessa forma, o bloqueio do Estreito de Ormuz tem menos impacto no Brasil – Imagem: Raul Arboleda/AFP e Agência Petrobras
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Teerã reafirmou neste sábado 15 que o Estreito de Ormuz “continuará sendo iraniano”, depois que o presidente Donald Trump declarou que transformará “em breve” a região em território dos Estados Unidos.

O conflito entre as duas potências está concentrado há semanas no Estreito de Ormuz, uma rota fundamental para o transporte de hidrocarbonetos do Golfo para o resto do mundo, onde a república islâmica pretende cobrar pelo trânsito de navios — algo que não acontecia antes do conflito iniciado com os bombardeios israelenses e americanos de 28 de fevereiro.

Desde o início da guerra, Teerã atacou muitos navios na área, e os Estados Unidos impuseram um bloqueio marítimo aos portos iranianos para impedir a exportação de petróleo e asfixiar as finanças do país.

“Muito em breve declararei o Estreito de Ormuz território dos Estados Unidos. É verdade”, disse Trump com um pequeno sorriso durante um comício político em uma academia de polícia no estado de Nova York. O mandatário afirmou que isso acontecerá “depois que terminarmos de derrotar o Irã”.

Segundo Brian Schwartz, jornalista do Wall Street Journal que citou no X um funcionário da Casa Branca, Trump estava “brincando” ao dizer que Ormuz se tornaria um “território americano”. Brincadeira ou não, o Irã respondeu rapidamente ao comentário do octogenário líder republicano.

“O Estreito de Ormuz foi iraniano, é iraniano e continuará sendo iraniano. Este estreito só será aberto e fechado por ordem do Irã”, escreveu na rede X o vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi. “Ormuz não pode ser tomado de assalto com um tuíte ou um porta-aviões, nem por meio de um decreto presidencial, nem com um discurso de campanha eleitoral”, acrescentou o representante iraniano.

“Nunca pedirei desculpas”

Em seu discurso de sexta-feira, Trump minimizou a alta do preço do combustível como consequência do conflito e defendeu sua decisão de lançar a guerra contra o Irã em fevereiro, ao lado de Israel. “Se tiverem que pagar um pouco mais” pela gasolina, “não tem problema (…) nunca vou pedir desculpas. Tomei a decisão certa”, disse. Na sexta-feira, o preço da gasolina nos Estados Unidos estava 35% mais alto do que antes da guerra.

O conflito desperta pouca simpatia no país, e a popularidade do presidente foi fortemente abalada pelo descontentamento das famílias diante desse novo aumento no custo de vida. No plano diplomático, o protocolo de acordo fechado em junho entre Estados Unidos e Irã para pôr fim ao conflito ruiu no início de julho, com novos bombardeios de um lado e de outro e com a disputa sobre a gestão futura de Ormuz.

Nos últimos dias, as hostilidades perderam intensidade, e o presidente americano parece privilegiar agora uma estratégia de pressão econômica. Nessa linha, seu secretário do Tesouro, Scott Bessent, ameaçou na quinta-feira o Irã com um isolamento econômico “como o mundo nunca viu”.

No terreno, os Emirados Árabes Unidos acusaram o Irã de ter atacado na sexta-feira um navio petroleiro de sua companhia estatal Adnoc, sem deixar feridos. Do outro lado da Península Arábica, no Mar Vermelho, os rebeldes houthi do Iêmen, aliados de Teerã, atacaram recentemente navios sauditas ou infraestruturas petrolíferas na Arábia Saudita, aliada dos Estados Unidos.

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