Taxa de vacinação na Europa é insuficiente para evitar nova onda de Covid, alerta OMS

Apenas 30% da população europeia recebeu uma primeira dose da vacina e 17% completou a imunização

(Foto: Tolga Akmen / AFP)

(Foto: Tolga Akmen / AFP)

Mundo

O nível de vacinação na Europa é insuficiente para proteger a população de uma nova de contaminações por Covid-19. O alerta foi feito nesta quinta-feira 10 por Hans Kluge, diretor da divisão europeia da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Ele também pediu que os países evitem o erro do verão do ano passado, quando a flexibilização das medidas no continente provocou um aumento do número de casos, levando à segunda onda, iniciada em setembro de 2020.

“A cobertura vacinal não é suficiente para proteger a região de uma nova alta de casos”, declarou Kluge durante uma entrevista coletiva online. Apenas 30% da população europeia recebeu uma primeira dose da vacina e 17% completou a imunização com duas injeções. “O caminho que deve ser percorrido para que possamos chegar a 80% da população adulta vacinada ainda é considerável”, acrescentou.

O representante da OMS na Europa também pediu que a população mantenha as medidas de higiene e de distanciamento e evite as viagens para o exterior. Apesar de a situação na região ter melhorado, com uma forte queda das mortes e dos casos nas últimas semanas, a Europa está “longe de estar fora de perigo”, insistiu.

Na semana passada, foram registrados 368 mil casos, cinco vezes menos do que em abril. Os dados levaram 36 países europeus a adotarem medidas de flexibilização.

 

 

Uma dose não protege contra a variante

Pela primeira vez desde o outono 2020, o número semanal de mortos por Covid-19 na Europa está abaixo das 10 mil vítimas. Mas a situação do ano passado é um exemplo para manter a vigilância, insistiu o diretor.

“No ano passado, os casos aumentaram progressivamente nas faixas etárias mais jovens, contribuindo para uma disseminação dramática, levando à instauração de lockdowns e a mortes, no outono e no inverno”, lembrou Kluge. “Não vamos repetir o erro.”

A OMS ressalta que a circulação de variantes que “driblam” a imunidade é preocupante, e citou como exemplo a Delta, detectada inicialmente na Índia e predominante no Reino Unido. Além de ser mais contagiosa, ela é mais resistente e apenas uma dose da vacina, independentemente da fabricante, não impede a contaminação, uma forma grave ou morte.

Os estudos mostram que são necessárias duas doses das vacinas que utilizam a tecnologia RNA ou duas da AstraZeneca para proteger o organismo da Delta e, ainda assim, com uma perda de eficácia, se comparada à cepa original. Kluge lembrou que a variante deverá se alastrar na Europa e que muitas pessoas de mais de 60 anos ainda não foram vacinadas no continente.

 

Biden anuncia compra de doses

A OMS pediu nesta semana que os países contribuam com o sistema Covax, de distribuição de vacinas. O presidente dos Unidos, Joe Biden, anunciará nesta quinta-feira a compra de 500 milhões de doses da vacina contra a covid-19 da Pfizer/BioNTech para doação a outros países, anunciou a Casa Branca, ao confirmar informações da imprensa.

“É o maior pedido e doação de vacinas feito por apenas um país, e um compromisso do povo americano para ajudar a proteger a população de todo o mundo contra a covid-19”, afirmou o governo, que considera o anúncio, vazado pela imprensa na quarta-feira, uma “ação histórica”.

As vacinas serão distribuídas a 92 países desfavorecidos, por meio do sistema Covax, criado para garantir uma distribuição equitativa das doses em todo o mundo. As entregas começarão em agosto e até 200 milhões devem ser distribuídas até o fim do ano. As outras 300 milhões de doses serão entregues até junho de 2022, informou a Casa Branca em um comunicado.

Todas as doses serão produzidas em fábricas americanas. Biden deve fazer o anúncio oficial no Reino Unido, em sua primeira viagem ao exterior como presidente. O líder democrata, que trabalha para demonstrar que “os Estados Unidos estão de volta” no cenário internacional, participará no fim de semana da reunião de cúpula do G7 na Cornualha, onde a gestão da pandemia estará entre os temas prioritários de discussão.

*Com informações da AFP

 

Junte-se ao grupo de CartaCapital no Telegram

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Compartilhar postagem