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Talebans desfilam triunfantes no aeroporto de Cabul após retirada dos EUA

Os talebans insistem que não aceitarão ajuda militar internacional

Membros do Taleban nas ruas de Cabul, capital do Afeganistão. Foto: Wakil Kohsar/AFP
Membros do Taleban nas ruas de Cabul, capital do Afeganistão. Foto: Wakil Kohsar/AFP
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Os talebans, novos governantes do Afeganistão, se mostraram triunfantes, nesta terça-feira 31, no aeroporto de Cabul, com agentes de suas forças especiais e sua bandeira, após a retirada dos últimos soldados americanos.

O principal porta-voz dos talibãs, Zabihullah Mujahid, levou um grupo de dirigentes à pista do aeroporto. Seu rosto, normalmente impassível, exibia um grande sorriso.

As forças especiais talibãs, chamadas “Badri 313”, com os uniformes de camuflagem impecáveis, posaram para fotos, exibindo armas americanas e a bandeira branca do movimento Taleban, na qual está escrito o início da “shahada” (profissão de fé islâmica).

O aeroporto civil de Cabul, considerado durante muito tempo um dos locais mais seguros do país, foi saqueado. Cartuchos de munição podem ser observados em todos os acessos.

Nos 15 dias posteriores à tomada de poder dos fundamentalistas em 15 de agosto, as imediações do aeroporto foram ocupadas por uma grande multidão que tentava desesperadamente embarcar em um dos voos de retirada da comunidade internacional.

Porém, muitos afegãos permaneceram bloqueados em uma série de postos de controle dos talebans. Nesta terça-feira, todas as barreiras na estrada que leva ao aeroporto foram desmanteladas, com exceção de uma.

A atitude dos fundamentalistas também mudou: agora mostram seu júbilo e cumprimentam os motoristas e passageiros.

Aeronaves destruídas

Garantir a segurança do aeroporto internacional Hamid Karzai de Cabul é uma questão chave. Os talebans insistem que não aceitarão ajuda militar internacional.

Dentro do complexo, dezenas de aviões e helicópteros que o governo dos Estados Unidos havia transferido ao exército regular afegão foram destruídos pelas tropas americanas.

Setenta e três aeronaves foram “desmilitarizadas”, ou seja, estão fora de serviço, de acordo com o general Kenneth McKenzie, do Comando Central do exército americano.

“Estes aparelhos não voltarão a voar. Não poderão ser usados” disse.

Os vidros das cabines foram quebrados e os pneus foram estourados.

Quase 70 veículos blindados MRAP resistentes às minas terrestres, que custam um milhão de dólares cada, e 27 veículos Humvee também foram inabilitados após a operação de retirada que permitiu a saída em duas semanas de quase 123.000 pessoas, a maioria afegãs.

O exército americano também destruiu o sistema de defesa antimísseis C-RAM, que interceptou cinco foguetes lançados pelo grupo Estado Islâmico contra o aeroporto na segunda-feira.

“É necessário um procedimento longo e complexo para desmontar esses sistemas”, explicou o general. “Então, nós os desmilitarizamos para que não voltem a ser usados”.

AFP

AFP Agência de notícias francesa, uma das maiores do mundo. Fundada em 1835, como Agência Havas.

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