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Suspeitas de corrupção voltam a abalar Parlamento Europeu
O escândalo atual lembra o ‘Catargate’, de 2022, em que uma rede de tráfico de influência em benefício do Catar e possivelmente do Marrocos foi desmantelada no Parlamento Europeu
Suspeitas de corrupção voltaram a sacudir, nesta quinta-feira 13, o Parlamento Europeu, dando lugar a 21 diligências na Bélgica e em Portugal, em um caso suspeito de supostos subornos relacionados à empresa chinesa de telecomunicações Huwaei.
“Várias pessoas foram detidas para interrogatório sobre uma suposta participação em corrupção ativa no Parlamento Europeu”, anunciou a procuradoria federal da Bélgica em comunicado.
Os casos sob investigação “teriam beneficiado a Huawei“, acrescentou o órgão judicial belga, indicando que outra pessoa foi presa na França.
Por sua vez, a gigante tecnológica chinesa afirmou que tem “tolerância zero” com corrupção e garantiu que entraria em contato “urgentemente” com os responsáveis pela investigação “para entender melhor a situação”, disse um porta-voz à AFP.
Uma fonte do Parlamento Europeu afirmou que a instituição está disposta a “cooperar plenamente” com as investigações e destacou que não houve operações de busca em suas instalações.
O Parlamento “recebeu um pedido para cooperar com as investigações, que honrará rápida e plenamente”, acrescentou a fonte.
No entanto, a procuradoria indicou que agentes judiciais lacraram os gabinetes de dois assessores parlamentares na sede do Poder Legislativo europeu.
Gabinetes foram lacrados no Parlamento Europeu para investigação de um novo escândalo de corrupção envolvendo lobistas de uma empresa chinesa.
Foto: FREDERICK FLORIN / AFP
Segundo o site holandês Follow the Money, a investigação se concentra em 15 ex-eurodeputados.
O Follow the Money mencionou uma fonte não identificada para dizer que um ou vários eurodeputados receberam pagamentos indevidos por meio de uma empresa com sede em Portugal.
A Procuradoria-Geral da República de Portugal confirmou as operações no país “no âmbito de uma DEI [Decisão Europeia de Investigação] emitida pelas autoridades belgas”.
Aparência de lobby
A procuradoria belga destacou que os atos de corrupção foram praticados de forma regular “e muito discretamente de 2021 até o presente, sob a aparência de lobby comercial”.
Os contatos indevidos tiveram “diversas formas, como remuneração para adoção de posturas políticas ou presentes excessivos, como […] convites regulares para jogos de futebol”.
De acordo com o jornal belga Le Soir, a Huawei possui uma cabine exclusiva no estádio Constant Vanden Stock, na periferia de Bruxelas e conhecido como Lotto Park, casa do Anderlecht.
Os atos tinham “o objetivo de promover interesses comerciais puramente privados”, apontou a procuradoria.
Durante as buscas, os agentes “apreenderam vários documentos e objetos, que serão cuidadosamente analisados”.
Em 2022, o Parlamento Europeu foi abalado por um enorme escândalo de tráfico de influência em benefício do Catar e possivelmente do Marrocos, um caso conhecido como “Catargate”.
Esse escândalo incluiu a apreensão de malas cheias de dinheiro em espécie, e motivou mudanças drásticas no tratamento que o Parlamento Europeu concedia a empresas dedicadas ao lobby.
Nicholas Aiossa, diretor da Transparência Internacional da UE, alertou que as novas denúncias “são tão amplas e sérias quanto as do ‘Catargate'”.
“Durante muito tempo, os membros do Parlamento Europeu adotaram uma abordagem descuidada em relação à ética e continuaram a viver em uma cultura de impunidade”, acrescentou.
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