Mundo
Soldado israelense deixa o Brasil após juíza mandar PF investigá-lo por crimes de guerra
Yuval Vagdani estava de férias na Bahia quando soube da ordem judicial. Ele é acusado de participar da demolição de um quarteirão residencial em Gaza, em dezembro passado
O soldado israelense Yuval Vagdani, de 21 anos, conseguiu deixar o Brasil neste domingo após uma juíza do Distrito Federal determinar a abertura de inquérito para investigá-lo por crimes de guerra supostamente cometidos na Faixa de Gaza.
Ele estava de férias em Morro de São Paulo, uma vila turística localizada na Bahia, quando houve a determinação judicial. A solicitação para investigá-lo partiu dos advogados Maira Machado Frota Pinheiro e Caio Patrício de Almeida.
Ambos alegaram que Vagdani deveria ser penalizado porque o Estado brasileiro, como signatário de tratados internacionais, a exemplo da Convenção de Genebra e do Estatuto de Roma, teria o dever de reprimir tais crimes, mesmo que tenham sido cometidos fora do território nacional.
Integrantes da diplomacia israelense confirmaram a CartaCapital, sob reserva, que atuaram para retirar o soldado do País. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores de Israel informou que a embaixada no Brasil fez contato com o soldado e sua família, “prestando apoio durante todo o evento e garantindo sua saída rápida e segura”.
Vagdani saiu do País em um voo comercial com origem em Salvador (BA) e destino a Buenos Aires, capital da Argentina, na noite de sábado. O governo israelense disse que tem “chamado a atenção” dos israelitas para publicações feitas nas redes sociais sobre o serviço militar.
Na ação movida na Justiça Federal, o militar é acusado de participar da demolição de um quarteirão residencial em Gaza, em dezembro passado, utilizando explosivos fora de situações de combate. As residências serviam de abrigo para palestinos deslocados internamente após o início do conflito no enclave palestino.
O documento, a reunir vídeos e dados de geolocalização que comprovariam o envolvimento de Vagdani no caso, afirma que os supostos crimes foram cometidos durante sua atuação no batalhão Givati, uma brigada de infantaria do Exército israelense fundada em 1947.
Dias antes da demolição, o soldado publicou vídeo no Instagram com imagens do corredor Netzarim. Na legenda da postagem, escreveu: “Que possamos continuar destruindo e esmagando este lugar imundo, sem pausa, até os seus alicerces”. Em outra publicação, o militar posa em frente a escombros de imóveis na área, enquanto explosivos eram instalados.
A denúncia ainda destaca a destruição de um corredor em Gaza, que gerou expulsão forçada de civis e profundas consequências humanitárias. O Itamaraty não comentou o caso e recomendou à reportagem que procurasse o Ministério da Justiça por se tratar de uma “investigação judicial”.
Com a divulgação da ordem para investigar Vagdani, um parlamentar israelense foi às redes sociais ameaçar o Brasil e disse que País de “patrocinador de terroristas”.
Dan Illouz, que ocupa uma das cadeiras da Assembleia de Israel, o Knesset, prometeu que o país liderado por Benjamin Netanyahu não ficaria “de braços cruzados diante da perseguição de seus soldados”.
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