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Shein perde loja em Paris após dono do imóvel se arrepender
Após protestos e escândalos, locatário diz que negócio foi ‘erro’, anuncia venda do prédio e dá prazo para encerramento das atividades até o Natal. Gigante chinesa, porém, ainda deve abrir mais cinco lojas na França
A Shein, a varejista online chinesa que se tornou ícone ultra fast fashion, vai fechar as portas de sua primeira e até então única loja física permanente.
Desde novembro, a gigante chinesa ocupa o sexto andar da loja de departamentos BHV Marais, um prédio localizado na turística região do Marais, em frente à prefeitura de Paris.
Na terça-feira 16, a empresa operadora da BHV, a SGM, anunciou a venda do cobiçado ponto comercial para um grupo empresarial. A empresa anunciou que a Shein deverá “idealmente” deixar a loja até o Natal e classificou como um “erro estratégico” a decisão de permitir a presença da marca na BHV.
Sobre os planos de abrir mais cinco lojas na França, o diretor da SGM, Frédéric Merlin, afirmou que os compromissos contratuais com a Shein nas lojas fora de Paris serão “cumpridos” até a realização de uma revisão “de longo prazo”.
Merlin disse ter cometido “erros” e acrescentou que a venda da BHV representa um “plano genuíno para uma retomada eficaz por pessoas sérias”.
Protestos e investigações
A notícia de que as operações da Shein iriam sair do comércio online e chegar às lojas físicas, num local de prestígio na capital mundial da moda, provocou várias reações de indignação devido ao modelo de negócios da marca, aos impactos ambientais e à venda online de produtos ilegais.
Milhares de comerciantes processaram a varejista chinesa por concorrência desleal. Cerca de 100 marcas deixaram a BHV Marais após a chegada da Shein, segundo a administração da loja.
Políticos e fashionistas se juntaram na missão de impedir inclusive a contínua expansão online da empresa, famosa pelos produtos falsificados de baixa qualidade.
Em dezembro, reguladores da União Europeia abriram uma investigação por suspeitas de que a varejista não fez o suficiente para limitar a venda de produtos como “bonecas sexuais com aparência infantil”, armas e medicamentos de venda ilegal na UE.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, ordenou que as autoridades bloqueassem o acesso ao site da Shein por dois dias; durante esse período, agentes da alfândega retiveram as encomendas compradas por meio da plataforma para inspeção.
Após a repercussão negativa do caso, a Shein afirmou ter retirado imediatamente os produtos de seu marketplace — seção que vende itens de terceiros — e proibido globalmente a comercialização de bonecas sexuais em seu site.
Milhões de euros em multa
Fundada na China em 2012 e atualmente sediada em Singapura, a Shein é criticada ainda pelas condições de trabalho em sua cadeia de fornecedores e pelos impactos ambientais de seu modelo de ultra fast fashion.
No início de junho, a França informou ter aplicado duas multas à Shein que somam mais de 22 milhões de euros (R$ 128,8 milhões), citando problemas relacionados à rastreabilidade de produtos, rotulagem ambiental e prazos de entrega.
Com isso, o total de multas impostas pelo país à gigante asiática da moda ultrapassa 210 milhões de euros (R$ 1,2 bilhão).
Sobre a intimação para fechar a loja, um porta-voz da Shein afirmou que a empresa respeita a decisão da BHV.
Ao mesmo tempo, manifestou pesar pelo fato de a “colaboração experimental” ter ocorrido em um contexto de “problemas importantes preexistentes” na unidade parisiense, em que “os clientes foram obrigados a lidar com obras de renovação em vários andares da loja
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