Mundo
Saúde de Chavez é incerta, e oposição fala em nova corrida eleitoral
Opositores se apressam em definir candidato enquanto governo desmente boatos e tentam fortalecer o vice Nicolás Maduro
Em meio a informações controversas sobre o frágil estado de saúde do presidente Hugo Chávez, reeleito em 7 de outubro, o cenário político venezuelano volta a desenhar no horizonte uma possível nova eleição.
A hipótese de um novo pleito está prevista na Constituição venezuelana, que determina a convocação de novas eleições em um prazo de até 30 dias a partir da declaração de incapacidade do presidente eleito.
Diante disso, a oposição venezuelana iniciou no domingo 24 os debates para a escolha de um candidato único visando as eventuais eleições presidenciais, de acordo co um dirigente de um partido que integra a Mesa da Unidade Democrática (MUD).
“Vamos começar a escolher um candidato presidencial a partir de amanhã (domingo)”, assegurou, sem dar detalhes, o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, dirigente da Aliança Bravo Povo, em um ato de protesto da oposição contra as últimas medidas econômicas anunciadas pelo governo – entre elas a desvalorização da moeda nacional, o bolívar.
“O povo vai ter a absoluta segurança de que haverá um candidato unitário (…), que não seja um candidato que traz em seu discurso adjetivos para desqualificar, para insultar ninguém, como faz (o vice-presidente) Nicolás Maduro”, disse.
O nome de Henrique Capriles, governador eleito do estado de Mirando pelo partido Primeiro Justiça (PS, social-cristão) e candidato à Presidência derrotado por Chávez em outubro, surge novamente como o nome mais forte para a eventual nova eleição.
Governo se movimenta nos bastidores
O presidente Hugo Chávez retornou de Cuba, onde estava em um tratamento contra um câncer, no dia 18 de fevereiro, contudo, embora esteja em território venezuelano, Chávez ainda não fez aparições públicas ou pronunciamentos em rádio ou televisão.
Por enquanto, os venezuelanos só têm notícias do presidente por meio de fotos e boletins médicos esporadicamente divulgados pelo governo.
No momento, a posição oficial do governo e do Partido Socialista Unido da Venezuela (SUV) é a de desmentir os boatos sobre uma possível renúncia do presidente por motivos de saúde e reiterar a permanência de Chávez no comando do país.
No entanto, os opositores alegam que, nos bastidores, o SUV já trabalha com a hipótese da renúncia e tenta fortalecer a imagem do vice-presidente Nicolás Maduro.
O nome de Maduro é defendido por Chávez. Ainda antes de se submeter à cirurgia em Cuba, Chávez pediu aos venezuelanos que votassem em Maduro caso ele ficasse incapacitado para governar.
Na semana passada, o instituto de pesquisas Hinterlaces publicou uma das primeiras consultas que considera a possibilidade de novas eleições, avaliando que Maduro venceria Capriles por 14 pontos.
*Com informações da AFP
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