Mundo

Salvadorenhos marcham contra o regime de exceção de Nayib Bukele

Sob essa política, mais de 90 mil pessoas foram detidas desde 2022

Salvadorenhos marcham contra o regime de exceção de Nayib Bukele
Salvadorenhos marcham contra o regime de exceção de Nayib Bukele
Salvadorenhos marcham contra o regime de exceção de Nayib Bukele, em 25 de janeiro de 2026. Foto: Marvin Recinos/AFP
Apoie Siga-nos no

A capital de El Salvador foi palco, neste domingo 25, de uma grande marcha contra o regime de exceção do presidente Nayib Bukele, que permite prisões sem ordem judicial na luta contra as gangues no país.

Sob essa política, mais de 90 mil pessoas foram detidas desde 2022 e cerca de 8 mil foram libertadas por serem inocentes, segundo fontes oficiais. A medida reduziu a violência a mínimos históricos, mas grupos de direitos humanos denunciam prisões arbitrárias e até torturas.

“Exigimos que cesse o regime de exceção e também exigimos o direito às garantias constitucionais”, disse à AFP a porta-voz do Bloco de Resistência e Rebeldia Popular, Sonia Urrutia.

A ativista denunciou que o regime de exceção, ratificado todos os meses por um Congresso dominado por deputados favoráveis a Bukele, tornou-se uma “política pública de Estado”.

“Exijo liberdade para meus filhos e para os demais inocentes”, declarou por sua vez Juana Fuentes, dona de casa de 54 anos, cujo filho Nelson está preso desde 2022.

O Movimento de Vítimas do Regime (Movir), cujos ativistas participaram da manifestação, pediu que a Justiça declare inconstitucional o estado de exceção.

Segundo a ONG Socorro Jurídico, desde 2022 morreram 470 pessoas privadas de liberdade em El Salvador.

Durante a marcha, que percorreu ruas do centro de San Salvador, os manifestantes também denunciaram uma “perseguição” contra ambientalistas, sindicalistas e defensores de direitos humanos por parte do governo conservador.

“Chega de ditadura” e “Governo falso mentiroso”, lia-se em algumas faixas no ato, que também protestava contra a mineração e a demissão de professores e de profissionais da saúde.

O protesto foi convocado no marco da comemoração da assinatura dos acordos de paz que puseram fim à guerra civil em janeiro de 1992.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.

O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.

Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo