Mundo

Rússia na mira do Conselho de Direitos Humanos da ONU

O chefe da diplomacia russa, Sergey Lavrov, que estava previsto para participar da reunião, cancelou sua visita marcada para terça-feira, à sede da ONU em Genebra

O presidente russo Vladimir Putin. Foto: Sergei Guneyev/Sputnik/AFP
O presidente russo Vladimir Putin. Foto: Sergei Guneyev/Sputnik/AFP
Apoie Siga-nos no

A Ucrânia obteve, nesta segunda-feira (28), amplo apoio para realizar um debate urgente no Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre a invasão de seu território pela Rússia.

A ofensiva militar decretada por Vladimir Putin marcou a abertura da 49ª sessão do Conselho de Direitos Humanos em Genebra, na qual a delegação ucraniana solicitará a abertura de uma investigação sobre as supostas violações de direitos humanos por parte do exército russo.

“A escalada das operações militares da Federação russa na Ucrânia implica um ressurgimento das violações dos direitos humanos”, disse o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, na abertura do Conselho, com uma mensagem em vídeo.

“Ao longo da história, houve momentos de profunda gravidade que dividiram os acontecimentos entre um antes e um depois, muito diferente e mais perigoso. Estamos diante de um episódio desse tipo”, declarou a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet.

A ex-presidente chilena também afirmou estar ciente das mortes de 102 civis, incluindo sete crianças, desde o início da invasão da Ucrânia, e alertou que os números reais eram “consideravelmente” maiores.

“A maioria desses civis foi morta por armas explosivas de longo alcance, especialmente disparos de artilharia pesada”, explicou.

O chefe da diplomacia russa, Sergey Lavrov, que estava previsto para participar da reunião, cancelou sua visita marcada para terça-feira, à sede da ONU em Genebra.

“A visita do ministro das Relações Exteriores, Lavrov, a Genebra, para participar do Conselho de Direitos Humanos foi cancelada”, tuitou a Representação Permanente da Rússia, que justificou esta decisão pela proibição de voos imposta pela União Europeia (UE).

Comissão similar à da Síria

A embaixadora ucraniana Yevheniia Filipenko indicou o balanço do Ministério da Saúde do seu país, com mais de 350 vítimas fatais, incluindo 16 crianças, e cerca de 1.700 feridos.

No debate urgente sobre este conflito, a delegação ucraniana pedirá a criação de uma comissão de investigação, semelhante à que já existe para a guerra na Síria.

A Ucrânia, segundo o projeto de resolução, pede que especialistas da ONU investiguem violações de direitos humanos cometidas na Crimeia e nos territórios separatistas de Lugansk e Donetsk desde 2014, e também no resto do país desde o início de 2022.

A Rússia, que se opôs à realização deste debate urgente, propôs submeter a proposta a votação. Finalmente, foi aprovada com 29 votos a favor, 5 contra – incluindo China, Cuba e Venezuela, além da Rússia – e 13 abstenções. O Conselho tem 47 membros.

Os chefes da diplomacia americana, Antony Blinken, e da UE, Josep Borrell, intervirão na terça-feira no Conselho com suas respectivas mensagens de vídeo.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, fará o mesmo na quarta-feira.

Putin anunciou em 24 de fevereiro a invasão da Ucrânia, com bombardeios aéreos e o envio de tropas terrestres em várias partes do país, incluindo uma ofensiva contra a capital, Kiev.

“Sejamos claros, as tentativas da Federação Russa de legitimar sua ação não são críveis. Não houve provocação que justifique tal intervenção”, criticou Ignazio Cassis, presidente da Suíça, no início dos debates no Conselho da ONU.

AFP

AFP
Agência de notícias francesa, uma das maiores do mundo. Fundada em 1835, como Agência Havas.

Tags: , , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Um minuto, por favor...

Apoiar o bom jornalismo nunca foi tão importante

Obrigado por ter chegado até aqui. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, que chama as coisas pelo nome. E sempre alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se este combate também é importante para você, junte-se a nós! Contribua, com o quanto que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo completo de CartaCapital.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Um minuto, por favor...

Apoiar o bom jornalismo nunca foi tão importante

Obrigado por ter chegado até aqui. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, que chama as coisas pelo nome. E sempre alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se este combate também é importante para você, junte-se a nós! Contribua, com o quanto que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo completo de CartaCapital.