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Rússia emitiu mais de 1.100 vistos ‘antiwoke’ em 2025

Um decreto publicado em 2024 oferece moradia a cidadãos de alguns países que ‘impõem’ políticas contra os ‘valores tradicionais’

Rússia emitiu mais de 1.100 vistos ‘antiwoke’ em 2025
Rússia emitiu mais de 1.100 vistos ‘antiwoke’ em 2025
O presidente da Rússia, Vladimir Putin – Foto: Mikhail Metzel/Pool/AFP
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Mais de 1.100 estrangeiros receberam um dos chamados vistos russos “antiwoke” em 2025 pela adesão “aos valores tradicionais” do país, informou nesta quarta-feira 17 a agência estatal de notícias Ria Novosti.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, denuncia há vários anos tudo o que, segundo ele, contradiz os “valores familiares tradicionais” – dos direitos LGBTQIA+ até banheiros mistos –, algo que apresenta como um sinal da decadência moral do Ocidente.

Em 2024, ele assinou um decreto que oferecia “apoio humanitário” e vistos a estrangeiros de uma lista de países que “impõem políticas ideológicas neoliberais destrutivas, contrárias aos valores espirituais e morais tradicionais russos”.

Os cidadãos dos países listados, principalmente europeus, mas também dos Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul ou Nova Zelândia, podem solicitar residência na Rússia com base no programa.

No ano passado, 1.112 pessoas receberam vistos de entrada com a iniciativa, declarou Alexei Klimov, diretor do Departamento Consular do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

Alemães e franceses lideraram a lista, com 168 e 140 vistos, respectivamente. Os americanos ficaram em terceiro lugar, segundo Klimov, com 105.

Klimov não explicou quantos beneficiários continuam morando no país.

A medida foi batizada pela imprensa ocidental como visto “antiwoke” da Rússia. A palavra inglesa “woke” é utilizada com frequência por alguns setores como rótulo pejorativo para criticar políticas progressistas.

No início deste mês, Putin voltou a elogiar o programa. “Em vários países, infelizmente, tentam abolir os valores familiares tradicionais”, declarou ao entregar condecorações do Estado pela defesa de tais valores.

“E apoiaremos aqueles que, submetidos a esta pressão, decidirem viver, trabalhar e criar seus filhos na Rússia. Sejam bem-vindos”, acrescentou.

Desde o início da ofensiva na Ucrânia em 2022, Moscou intensificou sua campanha contra o que descreve como “ideologias nocivas” promovidas pelo Ocidente.

Em 2022, a Rússia proibiu completamente o que denomina “propaganda LGBT” entre adultos e, em 2023, vetou mudanças de gênero legais ou médicas, uma medida amplamente criticada por organizações de defesa dos direitos humanos.

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