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Rússia aperta o cerco militar contra a Ucrânia, apesar da pressão do Ocidente

Tropas russas mantêm controle militar “de facto” da região da Crimeia. G8 ameaça deixar Moscou fora da mesa de negociações

Militares em Perevalne, perto da cidade de Simferopol, na Crimeia
Militares em Perevalne, perto da cidade de Simferopol, na Crimeia
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A Rússia prometeu manter suas tropas na Ucrânia com o objetivo de proteger interesses e cidadãos russos até que a situação política seja normalizada na região.

De acordo com informações da BBC, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, afirmou que Moscou está defendendo os direitos humanos contra “ameaças ultranacionalistas” em território ucraniano. “A violência de ultranacionalistas ameaça a vida e os interesses regionais dos russos ea população de língua russa”, afirmou o chanceler.

A Rússia mantém agora o controle militar “de facto” da região da Crimeia, apesar da condenação do Ocidente e o alerta contra a “violação da soberania da Ucrânia”.

Autoridades ucranianas, por outro lado, ordenaram uma total mobilização a fim de conter a intervenção militar russa. No domingo, a Ucrânia anunciou a mobilização de seus reservistas após a “declaração de guerra” da Rússia.

No último sábado 1º, o Parlamento russo autorizou o uso da força militar. A tensão cresce dias depois da destituição do presidente ucraniano, Viktor Yanukovych, que enfrentou grandes protestos contrários à sua postura pró-Moscou, ainda mais clara depois da recusa em assinar um acordo comercial com a União Europeia – estopim para os protestos pela sua saída.

No momento em que as potências ocidentais buscam uma saída para o conflito com Moscou, Lavrov ressaltou nesta segunda-feira 3 em Genebra a necessidade das tropas russas na Ucrânia até “a normalização da situação”.

Em Kiev, o primeiro-ministro ucraniano, Arseniy Yatsenyuk, fez um alerta a Moscou e disse que qualquer tentativa de dividir a Crimeia falharia. Antiga parte do Império Russo e, depois, da União Soviética, a península é hoje república autônoma da Ucrânia. A maioria da sua população, no entanto, é de origem russa e tem preferência por uma aproximação a Moscou.

Manobras. Nesta segunda-feira, tropas russas tomaram o terminal de balsas no extremo leste da Crimeia, cuja maior utilidade são as operações com a Rússia.

Comandantes da Marinha ucraniana confirmaram sua lealdade a Kiev, apesar da tentativa de efetivos russos tentarem forçá-los para mudar de lado e passar a obedecer a Moscou.

De acordo com informações da BBC, cresce o sentimento de oposição contra as ações da Rússia em território da Ucrânia, com muitos ucranianos se dizendo prontos para defender sua terra natal. Em termos militares, no entanto, a Ucrânia é bastante inferior à vizinha Rússia.

A crise entre Ucrânia e Rússia atingiu o mercado de ações, com o índice MICEX, da bolsa de valores de Moscou, caindo 9%, logo na abertura das negociações. Além disso, o rublo apresentou nova queda em comparação ao dólar, e o Banco Central da Rússia elevou sua taxa de juros básica de 5,5% para 7%.

Em tom de ameaça, o secretário de Estado americano, John Kerry, disse que a Rússia poderá perder seu lugar na mesa das grandes potências, o G8, se continuar com sua “invasão da Crimeia”. Em comunicado emitido pela Casa Branca, o grupo condenou “a clara violação da Federação Russia à soberania e integridade territorial da Ucrânia” e indicou, em retaliação, a suspensão de sua participação nos preparativos para o encontro do G8 em Sochi, em junho.

CartaCapital
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