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Rússia ameaça Lituânia e continua ofensiva militar no leste da Ucrânia

A Rússia alertou que as restrições ao tráfego ferroviário para o enclave de Kaliningrado impostas pela Lituânia resultarão em “sérias” consequências para o pequeno país do Leste Europeu

Fumaça vista em Severodonetsk nesta terça-feira 21 após novas ofensivas russas na região.

Foto: Anatolii Stepanov / AFP
Fumaça vista em Severodonetsk nesta terça-feira 21 após novas ofensivas russas na região. Foto: Anatolii Stepanov / AFP
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A Rússia alertou a Lituânia na terça-feira (21) sobre as consequências “sérias” das restrições da Otan e do país da UE ao tráfego ferroviário para o enclave russo de Kaliningrado e continuou sua ofensiva militar na região estratégica de Donbass, na Ucrânia.

As tensões com a Lituânia, assim como a chegada de armamento alemão sofisticado para a Ucrânia e a iminente autorização para que Kiev apresente sua candidatura de adesão à União Europeia (UE) ameaçam piorar as já tensas relações entre Rússia e as potências ocidentais.

As tropas russas, que invadiram a Ucrânia em 24 de fevereiro, continuaram ganhando terreno na bacia do Donbass (leste), formada pelas regiões de Lugansk e Donetsk.

O ofensiva tem resultado em uma “destruição catastrófica” na cidade industrial de Lisychansk, afirmou o governador de Donetsk, Serguei Gaidai.

De fato, “todas as cidades e vilas” em mãos ucranianas na região de Lugansk estão “sob fogo quase ininterrupto” das tropas invasoras, acrescentou.

A Ucrânia confirmou que a Rússia tomou a cidade de Toshkivka, na linha de frente do combate.

A ofensiva russa, após ser repelida em Kiev e outras regiões da Ucrânia, concentrou seus esforços no Donbass, controlado parcialmente por separatistas pró-russos desde 2014.

Em Sloviank (leste), a população se preparar para resistir.

“Acreditamos que os resistentes vencerão a escória russa”, declarou Valentina, uma residente de 63 anos.

Sloviansk foi tomada por separatistas pró-Rússia em 2014, mas recapturada pelas forças ucranianas após um longo cerco.

O chefe de polícia da região de Kiev disse que vítimas da tentativa russa de tomar a capital, no início do conflito, continuam sendo encontradas. Até agora, os corpos de 1.333 civis foram descobertos e 300 pessoas ainda estão desaparecidas, revelou.

“Sérias” consequências para a Lituânia

A Rússia alertou que as restrições ao tráfego ferroviário para o enclave de Kaliningrado impostas pela Lituânia resultarão em “sérias” consequências para o pequeno país do Leste Europeu.

A Lituânia alega que limita-se a cumprir as sanções impostas pela UE contra Moscou devido á invasão da Ucrânia, mas a Rússia denuncia uma “escalada”.

Vista do enclave russo de Kaliningrado, centro de tensão entre Rússia e Lituânia.
Foto: PATRICK HERTZOG / AFP

De acordo com Moscou, as ações da Lituânia “violam as obrigações legais e políticas pertinentes da União Europeia”.

“A Rússia, é claro, reagirá a esses atos hostis”, disse o chefe do Conselho de Segurança russo, Nikolai Patrushev, em uma reunião de segurança regional em Kaliningrado, uma região russa que faz fronteira com a Lituânia e a Polônia no Mar Báltico.

Os Estados Unidos reagiram às ameaças russas respaldando a Lituânia. “Apoiamos nossos aliados da Otan e apoiamos a Lituânia”, afirmou a jornalistas o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price.

O ministro da Defesa ucraniano, Oleksiy Reznikov, anunciou que peças de artilharia de obuses Panzerhaubitze 2000, de fabricação alemã, reforçaram o arsenal do país.

A Alemanha alertou, por sua vez, que os recentes cortes nas entregas de gás russo aos países europeus constituem um “ataque” que busca “semear o caos no mercado energético europeu”, segundo o ministro alemão da Economia e Clima, Robert Habeck.

Confrontos no Mar Negro

A marinha russa bloqueia os portos do Mar Negro, o que, segundo a Ucrânia, impede a exportação de milhões de toneladas de grãos e contribui para o aumento dos preços dos alimentos em todo o mundo.

A Ucrânia garantiu nesta terça-feira que bombardeou plataformas de petróleo no Mar Negro usadas como “instalações” militares pelos russos.

Já a Rússia indicou que havia repelido uma tentativa ucraniana de retomar a Ilha da Cobra, um pequeno território no Mar Negro conquistado pelas forças russas no primeiro dia da invasão.

Na região leste de Kharkov, pelo menos 15 pessoas, incluindo um menino de oito anos, foram mortas por bombardeios russos nesta terça-feira, segundo o governador da região.

Perdas “significativas”

Além de Toshkivka, a Ucrânia admitiu ter perdido o controle da aldeia de Metyolkin (leste), adjacente a Severodonetsk, foco de combates há semanas e agora em grande parte sob controle russo.

Uma usina química em Severodonetsk, onde possivelmente estão refugiados centenas de civis, encontra-se sob bombardeios constantes, alertaram as autoridades ucranianas.

Mas, segundo o porta-voz do Ministério da Defesa, Oleksandr Motuzyanyk, as forças russas sofreram “perdas significativas na região de Severodonetsk”.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou à NBC News que dois americanos capturados quando lutavam ao lado do exército ucraniano cometeram “crimes” e devem “prestar contas”.

O procurador-geral dos Estados Unidos, Merrick Garland, visitou a Ucrânia nesta terça-feira para falar sobre o julgamento de pessoas envolvidas em supostos crimes de guerra russos.

AFP

AFP
Agência de notícias francesa, uma das maiores do mundo. Fundada em 1835, como Agência Havas.

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