Cultura
Reino Unido proíbe entrada do rapper Kanye West após falas antissemitas
‘Vejo coisas boas em Hitler’, chegou a afirmar o artista
O Reino Unido decidiu, nesta terça-feira 7, proibir a entrada do rapper norte-americano Kanye West no país devido a declarações antissemitas nos últimos anos, o que obrigou a cancelar o festival londrino de julho no qual ele deveria se apresentar.
West, de 48 anos, havia apresentado na segunda-feira 6 um pedido de visto para entrar no Reino Unido, que foi rejeitado com o argumento de que “sua presença não seria de interesse público”, segundo o Ministério do Interior.
“Kanye West apresentou ontem (segunda-feira) um pedido de viagem para o Reino Unido por meio de uma Autorização Eletrônica de Viagem [ETA, na sigla em inglês). O governo bloqueou a autorização e ele não possui uma ETA válida”, acrescentou.
O rapper havia afirmado nesta terça-feira, em uma coluna no The Wall Street Journal, que estava disposto a se reunir com membros da comunidade judaica britânica, como sinal de boa vontade e para “ouvi-los”.
“Meu objetivo é ir a Londres e dar um show de mudança, levando unidade, paz e amor através da minha música”, escreveu o cantor nesta coluna, intitulada Àqueles a quem magoei.
“Sei que as palavras não são suficientes. Teria que demonstrar mudança com minhas ações. Se estiverem abertos, aqui estou”, afirmou o rapper.
Festival cancelado
Os organizadores do Wireless Festival, onde Kanye West tinha três shows marcados entre os dias 10 e 12 de julho, anunciaram que o evento foi cancelado ao saber que o cantor não poderia se apresentar.
“Como resultado da proibição de sua entrada pelo Ministério do Interior, o Wireless Festival foi obrigado a ser cancelado”, disseram os organizadores no Instagram.
O anúncio de sua participação no festival havia provocado indignação.
“Kanye West nunca deveria ter sido convidado para ser atração principal do festival Wireless. Este governo permanece firmemente ao lado da comunidade judaica”, reagiu o primeiro-ministro trabalhista, Keir Starmer, na rede social X, nesta terça-feira.
“Não deixaremos de lutar para enfrentar e derrotar o veneno do antissemitismo. Sempre tomaremos as medidas necessárias para proteger o público e defender nossos valores”, acrescentou Starmer.
Patrocinadores do festival, entre eles a Pepsi e a Diageo, haviam anunciado sua saída do evento.
A proibição da entrada do rapper acontece quase 15 dias depois do incêndio de quatro ambulâncias da comunidade judaica junto a uma sinagoga em Londres, um fato que aumentou a preocupação dos judeus britânicos.
Poucos meses antes, em 2 de outubro de 2025, houve um ataque contra uma sinagoga em Manchester, no norte da Inglaterra, no qual duas pessoas morreram e três ficaram gravemente feridas.
Ye, como o rapper passou a se chamar, perdeu, nos últimos anos, muitos seguidores e vários contratos comerciais após declarações antissemitas e racistas.
“Vejo coisas boas em Hitler. Amo os judeus, mas também amo os nazistas”, chegou a dizer em 2023.
Em maio de 2025, ele lançou uma música intitulada “Heil Hitler”, para comemorar o 80º aniversário da derrota da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.
“Não peço nem compaixão nem tratamento favorecido, embora aspire a merecer o perdão”, escreveu West, invocando seu transtorno bipolar para justificar suas declarações racistas.
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